20 Escudos– 1962 – Angola
A savana africana: Das telas a óleo para o papel-moeda.


Esta cédula faz parte de uma série emitida em 1962 em um momento chave na história de Angola, já que um ano antes teve início a Guerra de Independência de Angola. A figura do presidente português Américo Tomás servia como uma clara propaganda política de soberania, reafirmando o controle de Lisboa sobre o território africano. Mas o que mais chama a atenção desta série são as gravuras detalhadas no seus reversos. A prestigiada tipografia inglesa Thomas de La Rue utilizou como base telas do renomado pintor e naturalista português Guilherme d'Oliveira Marques para produzir as gravuras em formato de intaglio utilizadas na impressão das cédulas. Na cédula acima mostrada, a primeira da série, foi utilizado o quadro denominado "A Corrida de Antílopes", onde o foco central é um grande grupo de antílopes, mais especificamente impalas, correndo velozmente em sincronia. O artista capturou com precisão a sensação de movimento, a musculatura e o dinamismo dos animais saltando e avançando em conjunto pela savana africana. No canto esquerdo da manada destaca-se um antílope imponente com longos chifres curvados para trás - a icônica palanca negra gigante - um dos maiores símbolos da fauna e da identidade nacional de Angola. Guilherme d'Oliveira viveu em Angola por muitos anos, onde catalogou e pintou extensivamente sua vida selvagem. Todas a demais cédulas desta série também trazem gravuras baseadas nas suas ricas telas a óleo, retratando gnus, elefantes-africanos, rinocerontes-negros e a própria palanca negra gigante, todos em seu ambiente natural. Não seria exagerado dizer que estas belíssimas gravuras transformaram a série de cédulas da Angola colonial de 1962 em uma das mais valorizadas e artisticamente aclamadas por colecionadores de notafilia.

