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20 Dollars – 1979 – Singapura

  • awada
  • 27 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de jan.

Concorde: Um ícone que venceu o som, mas não o tempo.



O icônico avião retratado nesta cédula é o Concorde 102, prefixo G-BOAD, operado pela British Airways com pintura da Singapore Airlines, sobrevoando o Aeroporto de Changi, em Singapura, hoje um dos mais importantes do Sudeste Asiático. Essa representação remete ao período em que o Concorde operou, de forma conjunta, a rota entre Londres e Singapura, com escala no Bahrein, em parceria entre as duas companhias. O Concorde foi desenvolvido e produzido entre 1965 e 1979 por um consórcio formado pela britânica British Aircraft Corporation (BAC) e pela francesa Aérospatiale. Inicialmente, o projeto despertou grande interesse internacional e chegou a acumular cerca de 100 encomendas, envolvendo companhias como British Airways, Air France, Lufthansa, Japan Airlines, American Airlines, Qantas e TWA. Contudo, uma onda de cancelamentos ocorreu devido a uma combinação de fatores: a crise do petróleo dos anos 1970, o aumento dos custos operacionais, dificuldades financeiras das companhias aéreas, o fracasso do concorrente soviético Tupolev Tu-144 e preocupações ambientais, como o elevado nível de ruído ao ultrapassar a barreira do som e os impactos atmosféricos em grandes altitudes. Ao final, apenas Air France e British Airways permaneceram como operadoras do Concorde. Em janeiro de 1976, o Concorde iniciou seus voos comerciais regulares, ligando Paris ao Rio de Janeiro (via Dakar) e Londres ao Bahrein, além da célebre rota transatlântica entre Londres ou Paris e Nova York, que se tornaria sua operação mais emblemática. Viajar em um Concorde era uma experiência singular: a aeronave atingia uma velocidade de cruzeiro próxima de Mach 2 (cerca de duas vezes a velocidade do som), voava a altitudes superiores às dos aviões convencionais e raramente enfrentava turbulência. De suas janelas, era possível observar a curvatura da Terra, e, em certas rotas, o avião “vencia” a rotação do planeta, permitindo decolar de Londres ao pôr do sol e chegar a Nova York ainda durante o dia. Em julho de 2000, um Concorde da Air France que operava o voo Paris–Nova York sofreu um acidente fatal logo após a decolagem, causado por um fragmento metálico desprendido de um DC-10 da Continental Airlines que estava na pista minutos antes. O desastre levou à paralisação temporária de toda a frota francesa e britânica. Embora os voos tenham sido retomados posteriormente, o acidente, somado à queda na demanda, aos altos custos de manutenção e às mudanças no cenário da aviação comercial após 2001, selou o destino da aeronave. Em 2003, os voos do Concorde foram definitivamente encerrados. Ao todo, foram fabricados 20 Concordes ao longo de aproximadamente 13 anos, a maioria hoje preservada em museus e exposições permanentes ao redor do mundo. Símbolo máximo da ambição tecnológica da aviação civil, o Concorde demonstrou que voar mais rápido que o som era possível — mas sua breve carreira também mostrou que, na aviação comercial, inovação extrema nem sempre se traduz em sustentabilidade a longo prazo.

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