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20 Dinars – 2009 – Líbia

  • awada
  • 24 de fev. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 10 de jan.

O maior “rio artificial” do mundo que atravessa o inóspito deserto do Saara.




O Oriente Médio e o Norte da África figuram entre as regiões mais afetadas pela escassez de água no planeta. Esse quadro resulta da combinação de clima árido, temperaturas elevadas, altas taxas de evaporação e crescimento populacional contínuo. A Líbia se insere plenamente nesse contexto. Avaliações internacionais recentes, como as do World Resources Institute, continuam a classificar o país entre aqueles submetidos a níveis extremamente elevados de estresse hídrico. Sem rios permanentes ou lagos naturais significativos, a Líbia depende quase exclusivamente de aquíferos subterrâneos — muitos deles formados há milhares de anos e, portanto, de caráter fóssil e não renovável. Curiosamente, a descoberta do petróleo na década de 1950, o chamado “ouro negro” líbio, acabou levando também à identificação desses vastos reservatórios de água subterrânea. O rápido desenvolvimento da indústria petrolífera abriu caminho para a exploração intensiva de recursos naturais e para a sustentação de uma população urbana em constante expansão. Durante o regime de Muammar Gaddafi, essa dependência foi acompanhada por uma narrativa oficial que exaltava a suposta abundância hídrica do país, sugerindo que os aquíferos garantiriam água em quantidade praticamente ilimitada no longo prazo. Foi nesse contexto que surgiu o Great Man-Made River Project (Projeto do Grande Rio Artificial), uma das mais ambiciosas obras de engenharia civil do século XX. Concebido para transportar água de aquíferos profundos no sul do país até as densamente povoadas cidades costeiras do norte, o sistema consiste em uma vasta rede de tubulações subterrâneas. Essas áreas urbanas concentram a maior parte da população líbia — hoje majoritariamente urbana — e dependem fortemente desse fornecimento artificial. O esquema do projeto está retratado na cédula acima, simbolizando seu papel estratégico. Com milhares de quilômetros de dutos, o Grande Rio Artificial é frequentemente citado como um dos maiores projetos de irrigação e abastecimento hídrico do mundo. Iniciado em 1983, o empreendimento entrou em operação de forma gradual, mas enfrentou atrasos, dificuldades técnicas, conflitos armados e problemas de manutenção. Ainda ao longo da década de 2020, partes do projeto permaneciam incompletas ou operavam de forma limitada, refletindo tanto os desafios estruturais do país quanto a fragilidade de um modelo baseado na exploração intensiva de recursos hídricos não renováveis.

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