20 Dinars – 1992 – Tunísia
- awada
- 26 de dez. de 2021
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Atualizado: 21 de fev.
O simbolismo do cavalo branco na história e na arte.


Nesta cédula tunisiana destaca-se a figura de Kheireddine Ettounsi (c.1822–1890), militar e estadista otomano-tunisiano que desempenhou papel central no processo de modernização do país no século XIX. Inspirado por modelos europeus, ele promoveu reformas no sistema político, econômico, judiciário e administrativo tunisiano, buscando fortalecer o Estado diante das pressões internas e externas da época. Sua carreira militar foi notável: em pouco mais de uma década, passou de comandante de batalhão (1840) a major-general (1853), o mais alto posto militar abaixo do bei de Túnis, soberano da província otomana. No campo político, exerceu o cargo de grão-vizir da Tunísia entre 1873 e 1877. Posteriormente, foi nomeado grão-vizir do próprio Império Otomano, servindo em Istambul entre 1878 e 1879. Faleceu em 1890, na capital otomana, e seus restos mortais foram mais tarde trasladados para a Tunísia. O elemento mais marcante da cédula, contudo, é seu retrato montado em um imponente cavalo branco — uma escolha iconográfica carregada de simbolismo. Ao longo de diversas culturas, o cavalo branco representa nobreza, heroísmo, pureza e poder. Na tradição cristã, associa-se frequentemente a santos guerreiros e figuras escatológicas. É célebre, por exemplo, a imagem de São Jorge combatendo o dragão montado em seu cavalo branco. Esse simbolismo atravessou séculos e foi amplamente incorporado à literatura, às artes plásticas e ao cinema: o príncipe heroico dos contos de fada e o cavaleiro idealizado quase sempre surgem sobre um cavalo dessa cor.A menção ao cavalo branco inevitavelmente evoca também a figura de Napoleão Bonaparte e a célebre pergunta: “De que cor era o cavalo branco de Napoleão?”. Embora soe como uma anedota, a questão tem fundo histórico. Napoleão utilizou dezenas de cavalos ao longo de suas campanhas — estima-se que mais de cinquenta. O mais famoso deles ficou conhecido como Marengo, animal que se tornou quase lendário e recebeu epítetos como “poderoso corcel” e “garanhão tordilho”. A popularidade dessa imagem está intimamente ligada à pintura Napoleão Cruzando os Alpes de Jacques-Louis David. Nela, Napoleão surge com a capa esvoaçante, dominando um cavalo empinado em meio aos Alpes — uma representação que enfatiza liderança, energia e grandeza. Curiosamente, David produziu cinco versões da obra, hoje dispersas por diferentes museus, e nelas o cavalo aparece com tonalidades variadas, do branco ao castanho. Assim, a “verdadeira” cor de Marengo permanece objeto de debate, mas o que importa é o poder da imagem: o cavalo branco — real ou idealizado — tornou-se um recurso visual para exaltar autoridade, coragem e prestígio. Desta forma, na cédula tunisiana, esse simbolismo reforça a memória de Kheireddine Ettounsi como reformador enérgico e figura de liderança em um período decisivo da história do país.


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