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20 Cedis – 1984 – Gana

  • awada
  • 24 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de fev.

Yaa Asantewaa: A rainha guerreira que enfrentou os colonialistas britânicos.



A história da destemida Yaa Asantewaa (c.1840–1921) confunde-se com a própria trajetória de Gana. Rainha-mãe de Ejisu, no seio do Império Ashanti, ela tornou-se o principal símbolo da resistência africana ao avanço colonial britânico no final do século XIX. Em 1896, após uma série de conflitos anglo-ashantis, o rei Prempeh I foi deposto e exilado nas Seicheles, juntamente com outros líderes do reino. Com isso, Yaa Asantewaa assumiu a regência de Ejisu em nome de seu neto, herdeiro do trono local. A tensão atingiu o ápice em 1900, quando o governador britânico da então Costa do Ouro, Frederick Hodgson, exigiu sentar-se no sagrado Trono de Ouro — o símbolo máximo da nação Ashanti. Segundo a tradição, o Trono teria descido do céu e encarnava o espírito coletivo do povo; não representava apenas autoridade política, mas a própria alma do reino. A exigência foi vista como uma afronta intolerável. Diante da hesitação de alguns chefes locais, Yaa Asantewaa proferiu um discurso histórico, desafiando os homens a defenderem sua soberania e declarando que, se necessário, as mulheres pegariam em armas. Sua determinação galvanizou a resistência. Escolhida para liderar a insurreição, comandou forças ashantis na chamada Guerra do Trono de Ouro (1900), último grande confronto da série de guerras contra os britânicos. Embora os combatentes ashantis tenham imposto forte resistência e mantido o Trono fora do alcance britânico, a superioridade militar do império acabou prevalecendo após meses de cerco e combates. O território foi formalmente incorporado ao domínio britânico em 1901. Yaa Asantewaa foi capturada e enviada ao exílio nas Seicheles, onde morreu em 1921. Ela entrou para a história como a única mulher a liderar uma guerra em defesa do Reino Ashanti. Seu legado permanece vivo como símbolo de coragem e resistência nacional. Décadas depois, em 6 de março de 1957, a antiga Costa do Ouro tornou-se independente sob o nome de Gana — a primeira nação da África Subsaariana a conquistar a independência no período pós-colonial. De certo modo, concretizava-se, ainda que tardiamente, o ideal de soberania pelo qual Yaa Asantewaa havia lutado.

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