20 Biletov – 1994 – Rússia - Voucher
- awada
- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
MMM: O golpe que abalou a Rússia e o mundo.


Estamos acostumados a ver figuras ilustres — ou pelo menos historicamente relevantes — retratadas em cédulas de banco: reis, rainhas, políticos, cientistas, escritores, artistas e tantos outros que deixaram sua marca, para o bem ou para o mal. O personagem mencionado aqui, porém, escapa completamente dessas categorias tradicionais. Trata-se, na verdade, de um golpista. Sergey Mavrodi (1955–2018), um excêntrico matemático russo, foi o idealizador, nos anos 1990, de um dos maiores esquemas de pirâmide financeira da história. Sua empresa, conhecida como MMM (Mavrodi Mondial Moneybox), enganou milhões de pessoas, inicialmente na Rússia e depois em diversos outros países. O sistema prometia retornos extraordinários — e totalmente irreais — que podiam chegar a 1.000% ao ano. Na prática, não havia qualquer investimento real sustentando tais ganhos: o dinheiro dos novos participantes era utilizado para pagar os “rendimentos” dos investidores anteriores. A MMM chegou a emitir “vouchers” (como o visto acima) que funcionavam como uma espécie de ação da empresa, amplamente divulgados para atrair ainda mais participantes. Estima-se que entre 5 e 40 milhões de pessoas tenham perdido dinheiro no esquema, resultando em prejuízos de bilhões de dólares, além de milhares de falências, insolvências e até casos de suicídio. Após cumprir pena por fraude e ser posto em liberdade, Mavrodi relançou a MMM em 2011 sob o nome “MMM Global”, expandindo suas operações para mais de 100 países — inclusive o Brasil — onde encontrou terreno fértil devido à falta de regulamentação adequada e às vulnerabilidades econômicas da população. O impacto de toda essa história foi tão grande que inspirou um drama policial russo lançado em 2011, intitulado “The PyraMMMid”. Somente em 2018, com a morte de Mavrodi em decorrência de problemas cardíacos, o esquema finalmente chegou ao fim. E daí vem a questão? Por que o ser humano continua caindo nisso, mesmo no mundo digital dos dias de hoje? A resposta é que a tecnologia não elimina o problema, apenas muda a forma como ele aparece. Os esquemas apenas trocaram papel e caneta por apps, tokens, dashboards coloridos e marketing digital. E, em última análise, porque as pirâmides financeiras não vendem investimento, elas vendem esperança, a sensação de ser “mais esperto que o mercado”. Enquanto existirem ganância, desinformação financeira, vulnerabilidade econômica e o velho medo de “perder a oportunidade”, haverá terreno fértil para pirâmides, seja no século XX ou XXI.


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