2 Reais – 2016 – Brasil
Atualizado: há 5 dias
Quando o Brasil precisou importar seu próprio dinheiro!


A história do Real registra duas ocasiões em que cédulas brasileiras foram produzidas no exterior. A primeira ocorreu justamente no nascimento da nova moeda, em 1994. A segunda, mais de duas décadas depois, aconteceu de maneira excepcional e inesperada. Para lançar o Real em 1º de julho de 1994, era necessário produzir rapidamente uma enorme quantidade de cédulas. A Casa da Moeda do Brasil não possuía capacidade suficiente para atender sozinha à demanda inicial. O governo recorreu, então, a fabricantes internacionais especializados. A Medida Provisória nº 442 de 1994, autorizou o Banco Central a contratar empresas estrangeiras para a fabricação de papel-moeda. Nasceram assim as chamadas estampas B da primeira família do Real: a cédula de R$ 5 da alemã Giesecke & Devrient; a de R$ 10 da britânica Thomas De La Rue; e a de R$ 50 da francesa François-Charles Oberthur. Elas eram perfeitamente brasileiras quanto à emissão. O Banco Central continuava sendo o emissor e responsável pelo meio circulante. As empresas estrangeiras eram apenas as fabricantes contratadas para suprir a necessidade de produção. Nos anos seguintes o Brasil já possuía uma estrutura consolidada para produzir suas próprias cédulas. O problema surgiu quando em 2016 a Casa da Moeda enfrentou dificuldades para cumprir integralmente o cronograma de fornecimento de numerário solicitado pelo Banco Central. O risco era que a produção nacional não fosse suficiente para garantir o abastecimento do meio circulante. Diante dessa situação, o governo editou neste mesmo ano a Medida Provisória nº 745. Essa nova legislação permitiu que, em situações de emergência, o Banco Central adquirisse cédulas e moedas fabricadas no exterior. Foi nesse contexto que surgiu uma das cédulas mais curiosas da história recente da numismática brasileira. O Banco Central contratou a sueca Crane AB para produzir 100 milhões de cédulas de R$ 2,00. As cédulas foram fabricadas na Suécia e começaram a circular no Brasil em janeiro de 2017. Esta cédula é praticamente idêntica àquela fabricada pela Casa da Moeda do Brasil, com o desenho aprovado em 2010. Por isso, a inscrição “2010” permanece na cédula, apesar de sua fabricação ter ocorrido anos depois. A identificação do fabricante encontra-se no reverso. As cédulas produzidas pela Crane podem ser reconhecidas pela série iniciada pelas letras DZ. A comparação entre 1994 e 2016 revela duas situações bastante diferentes. Em 1994, a participação estrangeira foi planejada desde o lançamento do Real, como complemento à capacidade produtiva nacional. Em 2016, a contratação estrangeira ocorreu de forma excepcional, para enfrentar uma dificuldade de abastecimento. A experiência da Crane AB é particularmente significativa porque demonstra que possuir uma gráfica estatal não significa necessariamente possuir capacidade ilimitada de produção. Para o colecionador, essa excepcionalidade transforma uma aparentemente comum cédula de R$ 2 em uma peça de interesse especial. Entre milhões de cédulas produzidas pela Casa da Moeda, existem exemplares que carregam discretamente uma pequena inscrição sueca. São testemunhos de um momento em que, por uma necessidade emergencial, o dinheiro brasileiro precisou ser fabricado do outro lado do Atlântico.

