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2 Pesos Oro – 1972 – Colômbia

  • awada
  • 11 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de fev.

El Dorado: Do homem dourado ao império imaginado.



A Balsa de El Dorado, retratada nesta cédula, é uma obra artística elaborada em ouro, prata e cobre pelo povo muisca, uma das quatro grandes civilizações do Altiplano Andino que habitou a porção oriental dos Andes colombianos. Atualmente exposta no Museu do Ouro de Bogotá, estima-se que a peça tenha sido produzida entre os anos 600 e 1600. Ela foi descoberta em 1969 em uma caverna na região andina central da Colômbia. O termo El Dorado, originalmente El Hombre Dorado (“O Homem Dourado”) ou El Rey Dorado (“O Rei Dourado”), foi utilizado pelos espanhóis no século XVI para descrever o mítico chefe tribal muisca. Durante o ritual de posse, o herdeiro ao trono tinha o corpo coberto com pó de ouro e, a bordo de uma balsa, lançava oferendas preciosas ao Lago Guatavita. Na representação, a figura central aparenta ser o rei, adornado com cocares, argolas e brincos, acompanhado por seus quatro principais caciques. Com o passar do tempo, as lendas associadas a El Dorado transformaram-se profundamente: de um homem, passaram a designar uma cidade, depois um reino e, por fim, um vasto império. Uma segunda localização mítica surgiu a partir de relatos que inspiraram inúmeras expedições fracassadas em busca da cidade de Manoa, situada às margens do lendário Lago Parima, supostamente localizado em alguma região remota da América do Sul. A busca obsessiva por essa cidade fabulosa e por seu rei riquíssimo levou conquistadores espanhóis e outros exploradores a percorrer e mapear extensas áreas do continente, contribuindo para o conhecimento geográfico do que hoje são a Colômbia, a Venezuela, partes da Guiana e do norte do Brasil, incluindo trechos da bacia do Rio Amazonas. Entre as expedições mais célebres estão as de Walter Raleigh (1552–1618), explorador britânico que, em 1595, partiu em busca da chamada “Cidade de Ouro”. No ano seguinte, publicou A Descoberta do Grande, Rico e Belo Império da Guiana, um relato repleto de descrições exageradas que ajudaram a popularizar ainda mais o mito de El Dorado, embora sem alcançar qualquer evidência concreta. Uma segunda tentativa, em 1617, também terminou em fracasso. Já no século XX, uma das últimas grandes buscas associadas ao mito ocorreu em 1925, quando o capitão inglês Percy Fawcett (1867–1925) embrenhou-se nas selvas de Rondônia e Mato Grosso, acompanhado do filho e de um amigo, à procura da enigmática “Cidade Z”, que ele acreditava ser o verdadeiro El Dorado. Algumas semanas depois, o grupo desapareceu na Serra do Caiapó, provavelmente vítima de conflitos com indígenas da região, possivelmente os Kalapalo. Ao final, a história de El Dorado revela menos sobre ouro e cidades perdidas e mais sobre a ambição humana. O mito, nascido de um ritual simbólico e espiritual, foi reinterpretado pela cobiça europeia como promessa de riqueza infinita. Assim, El Dorado tornou-se um espelho dos desejos humanos: uma lenda capaz de impulsionar descobertas geográficas e, ao mesmo tempo, de conduzir homens à ruína, lembrando que a linha entre imaginação, esperança e obsessão sempre foi tênue na trajetória da humanidade.

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