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2.500 Francs – 1993 – Costa do Marfim

  • awada
  • 11 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de fev.

Das Américas à África: A longa jornada do cacau.



O cacau, nativo das Américas, foi uma cultura de grande valor para diversas civilizações pré-colombianas. Muitos estudiosos acreditam que a planta tenha se originado nas bacias do Amazonas e do Alto Orinoco, de onde se difundiu para outras regiões do continente. Embora não tenham sido seus primeiros domesticadores, os maias — e posteriormente os astecas — desenvolveram técnicas eficazes de cultivo do cacau na América Central e no sul do atual México. Para essas civilizações, o cacau era um símbolo de riqueza e prestígio, e seus grãos chegaram a ser utilizados como meio de troca. Maias e astecas preparavam uma bebida ritual a partir das sementes de cacau torradas e moídas, misturadas com água e especiarias. Entre os astecas, essa bebida era conhecida em náuatle como xocolātl, termo formado por xococ (amargo) e atl (água). Os espanhóis, pouco apreciadores do sabor amargo da bebida original, adaptaram seu preparo após o contato com o cacau no século XVI, passando a consumi-lo quente e adoçado, frequentemente com a adição de leite. Com o tempo, o termo xocolātl foi incorporado às línguas europeias e transformou-se em “chocolate”. Atualmente, o cacau é cultivado em regiões tropicais próximas à Linha do Equador, onde as condições de temperatura, umidade e solo são favoráveis ao seu desenvolvimento. Mais de 75% da produção mundial de cacau concentra-se em quatro países da África Ocidental: Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. A Costa do Marfim destaca-se como o maior produtor mundial, tendo respondido, na safra 2019/2020, por cerca de 44% do mercado global, com uma produção aproximada de 2,1 milhões de toneladas. Apesar de sua importância econômica, o setor cacaueiro marfinense enfrenta sérias críticas. Organizações de direitos humanos, como a International Rights Advocates, denunciam a exploração do trabalho infantil nas plantações, muitas vezes em condições degradantes e perigosas, incluindo o uso de facões e a exposição a pesticidas. No Brasil, a produção de cacau atingiu seu auge na década de 1980, quando chegou a cerca de 450 mil toneladas anuais, colocando o país entre os maiores produtores mundiais. No entanto, a disseminação do fungo Moniliophthora perniciosa, causador da doença conhecida como vassoura-de-bruxa, devastou as lavouras da Bahia e provocou um forte declínio da produção. Na safra 2019/2020, o Brasil figurou como o sexto maior produtor mundial, com uma produção em torno de 200 mil toneladas.

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