2/5/10/20/50/100 Reais – 2010 – Brasil
Atualizado: há 6 dias
A fauna brasileira nas cédulas do real: A biodiversidade que circula em nossas mãos.












Antes da introdução do Real em 1994, as cédulas brasileiras frequentemente estampavam rostos de figuras históricas, o que por vezes gerava debates ou associações políticas indesejadas. Ao optar por representantes da fauna e da flora brasileiras, as séries de 1994 e 2010 da família do real mantiveram uma abordagem mais neutra e inclusiva, simbolizando a nação de forma apartidária. No entanto, acima de tudo, houve também uma clara motivação de conscientização ambiental. Cada animal escolhido evidencia a extraordinária biodiversidade do país e funciona como um lembrete cotidiano da necessidade de proteger os ecossistemas e seus representantes, especialmente as espécies ameaçadas de extinção. Façamos portanto um breve “tour” pelos animais retratados nestas cédulas e pela situação atual de cada um segundo a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) — organização fundada em 1948 cuja missão é influenciar, encorajar e apoiar sociedades em todo o mundo na conservação da natureza, promovendo o uso equitativo e ecologicamente sustentável dos recursos naturais. A cédula de R$ 2,00 apresenta a tartaruga-marinha (Chelonia mydas), também conhecida como tartaruga-verde, representante dos répteis marinhos. Essa espécie pode atingir cerca de 1,5 metro de comprimento e pesar em média 160 kg. No Brasi ela é frequente em áreas de alimentação e reprodução, como a Ilha da Trindade e outros trechos do litoral brasileiro. Globalmente a IUCN a classifica como “em perigo”. No entanto, no Atlântico Sul, ações de conservação têm contribuído para a recuperação de algumas populações, motivo pelo qual, no contexto brasileiro, a espécie é considerada “monitorada”, ainda que continue dependente de proteção rigorosa. A garça-branca (Ardea alba), ilustrada na cédula de R$ 5,00, é comum em áreas úmidas do Brasil, como o Pantanal, manguezais e zonas costeiras, sendo frequentemente observada até mesmo em lagoas de parques urbanos. Apesar de seu status global de “pouco preocupante”, a espécie sofre impactos indiretos da degradação de seus habitats, poluição hídrica e drenagem de áreas alagadas. A cédula de R$ 10,00 traz a arara-vermelha-grande (Ara chloropterus), uma das aves mais emblemáticas das florestas brasileiras, ocorrendo principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Embora seja classificada pela IUCN como “pouco preocupante” em nível global, algumas populações regionais, especialmente no Sudeste e Sul do Brasil, já enfrentam declínios acentuados, principalmente devido ao desmatamento e ao tráfico ilegal de fauna. O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), estampado na cédula de R$ 20,00, é um primata endêmico da Mata Atlântica e um dos maiores símbolos da conservação ambiental no Brasil. A espécie é classificada pela IUCN como “em perigo” e por claros motivos. Estima-se que existam atualmente pouco mais de 3 mil indivíduos em liberdade, distribuídos em fragmentos florestais protegidos do estado do Rio de Janeiro, incluindo áreas como a Reserva Biológica de Poço das Antas. A cédula de R$ 50,00 apresenta a onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. A IUCN classifica a espécie como “quase ameaçada” em escala global, devido à sua ampla distribuição histórica. No Brasil, porém, a situação é mais delicada: a espécie é considerada “vulnerável”, especialmente em biomas como a Mata Atlântica, onde suas populações estão altamente fragmentadas. Na cédula de R$ 100,00 aparece a garoupa-verdadeira (Epinephelus marginatus), um peixe marinho associado a costões rochosos e recifes. Globalmente, a espécie é classificada como “vulnerável” pela IUCN, em razão da pesca excessiva e de seu lento ciclo de vida. No Brasil, ela é reconhecida como uma espécie “ameaçada” e alvo de planos de manejo e recuperação, coordenados pelo ICMBio, com foco na proteção de áreas reprodutivas e no controle da pesca. Embora não pertencente a série de 2010 vista acima, a fauna brasileira já desde 1994 estampava na cédula de R$ 1,00 o beija-flor-de-peito azul (Amazilia lactea), uma espécie que não apresenta declínio populacional e por esse motivo sua classificação na Lista Vermelha da IUCN é “pouco preocupante”. E finalmente, a mais recente cédula do real, a de R$ 200,00 de 2020, traz o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), um canídeo típico do Cerrado e endêmico da América do Sul. Apesar de ser classificado como “quase ameaçado” em nível global pela IUCN, no Brasil a espécie é considerada “vulnerável”, principalmente devido à perda de habitat, atropelamentos e conflitos com atividades humanas. Estima-se que existam cerca de 24 mil indivíduos em liberdade no país, dos quais aproximadamente 14 mil vivem no bioma Cerrado, seu principal reduto. Assim, pode-se afirmar que as cédulas do real vão além de sua função econômica: elas se transformam em símbolos silenciosos de responsabilidade coletiva. Ao circular diariamente pelas mãos de milhões de brasileiros, esses animais lembram que a biodiversidade do país não é um patrimônio inesgotável, mas um legado frágil, herdado do passado. Proteger a fauna brasileira hoje é assegurar que as próximas gerações herdem não apenas memória e símbolos, mas um país biologicamente rico, funcional e capaz de se reconhecer em sua própria natureza.

