2.1/2 Angolares – 1926 – Angola
- awada
- 24 de jan. de 2022
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Atualizado: 2 de mar.
Paulo Dias de Novais e as origens da Angola Portuguesa.


O personagem retratado nesta cédula é Paulo Dias de Novais (c. 1510–1589), fidalgo da Casa Real portuguesa e figura central no processo de implantação do domínio luso na região que viria a constituir a Angola colonial. Neto do navegador Bartolomeu Dias (1450-1500), célebre por ter dobrado o Cabo da Boa Esperança em 1488, Novais herdou o vínculo familiar com a expansão ultramarina portuguesa, embora sua atuação estivesse mais ligada à ocupação territorial do que à exploração marítima. Em 1560, liderou uma expedição ao Reino do Ndongo, importante entidade política da África Centro-Ocidental governada por um ngola (rei), título que daria origem ao nome Angola. A missão tinha objetivos diplomáticos, religiosos e estratégicos, mas Novais acabou detido pelas autoridades locais e permaneceu retido por vários anos. Libertado após mudanças na liderança do reino, regressou a Portugal levando relatos que enfatizavam o potencial econômico da região — especialmente a expectativa de riquezas minerais e a possibilidade de articulação com as rotas do interior africano. Em 1571, obteve do jovem rei Sebastião I de Portugal (1554-1578) uma Carta de Doação que lhe concedia amplos poderes como capitão donatário. O documento estabelecia direitos administrativos, civis e criminais sobre o território concedido, além de definir obrigações de povoamento, defesa e expansão. Diferentemente do modelo aplicado no Brasil, porém, a capitania de Angola estava fortemente vinculada aos interesses estratégicos da Coroa, sobretudo no que dizia respeito ao comércio atlântico de escravos. Em 1575, Novais partiu novamente para a África e, no ano seguinte, fundou a cidade de São Paulo da Assunção de Loanda (1576), considerada o marco inicial da presença urbana portuguesa permanente na região. Posteriormente conhecida simplesmente como Luanda, a cidade tornar-se-ia a capital de Angola. A partir dali, Novais buscou consolidar o domínio português por meio da construção de igrejas e fortificações, da concessão de sesmarias e da expansão ao longo do rio Cuanza. Em 1583, estabeleceu a povoação de Nossa Senhora da Vitória de Massangano, acompanhada da Fortaleza de Massangano, ponto estratégico para o avanço ao interior e para o controle das rotas fluviais. Foi nessa localidade que morreu, em 1589, sendo inicialmente sepultado em frente à Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Em 1609, seus restos mortais foram trasladados para a Igreja dos Jesuítas em Luanda.


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