2.000 Yen – 2000 – Japão
- awada
- 4 de set. de 2021
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Atualizado: 27 de jan.
Genji Monogatari: O primeiro romance literário do mundo.


Esta cédula retrata, em seu reverso, uma ilustração inspirada no romance “Genji Monogatari” (O Conto de Genji), obra-prima da literatura japonesa cuja autoria é atribuída à dama da corte Murasaki Shikibu (c. 973–c. 1014), cujo retrato também aparece no canto direito da cédula. A obra é amplamente considerada o primeiro romance psicológico da história da literatura mundial. O manuscrito original escrito por Murasaki não sobreviveu, mas existem hoje cerca de 300 cópias manuscritas, sendo a mais antiga datada de aproximadamente 1008. O romance é composto por 54 capítulos e tem como protagonista Hikaru Genji, um nobre da corte imperial. Embora não seja imperador, Genji é filho de um imperador com uma concubina de baixa posição, o que o exclui da linha sucessória. A narrativa acompanha sua vida, a de seus descendentes e, em especial, suas complexas e frequentemente dramáticas relações amorosas. Ao longo da obra surgem mais de 400 personagens, e a história se estende por cerca de 70 anos, mantendo uma notável coerência cronológica: os personagens envelhecem de forma consistente, assim como suas relações familiares, políticas e sociais. Em linhas gerais, o romance relata como Genji perde a mãe ainda na infância e, ao longo da vida, passa a se envolver emocionalmente com mulheres que evocam sua memória, incluindo figuras socialmente proibidas, como sua madrasta e uma jovem aparentada. Esses elementos explicam por que a obra foi considerada ousada e escandalosa para os padrões da aristocracia da época — e por que ainda hoje provoca debates entre estudiosos e leitores. Alguns intérpretes sugerem, inclusive, que certas personagens femininas podem conter traços autobiográficos da própria autora. Há também indícios acadêmicos de que Murasaki Shikibu tenha escrito apenas os primeiros 33 capítulos, sendo os restantes concluídos por outras mãos, possivelmente damas da corte que deram continuidade à narrativa após sua morte. Sob esse aspecto, O Conto de Genji pode ser visto como uma obra coletiva tardia, algo que, em termos modernos, lembra a ideia de continuações literárias feitas por admiradores do texto original. Escrito em japonês clássico, Genji Monogatari foi posteriormente traduzido para o japonês moderno por diversos autores renomados e, a partir daí, para mais de uma dezena de idiomas. Sua influência cultural é profunda e duradoura, tendo gerado inúmeras adaptações em diferentes mídias, como mangás, filmes, séries de televisão, animações, teatro tradicional, óperas e outras formas de expressão artística. Sua presença nesta cédula comemorativa do ano 2000 simboliza o reconhecimento do Japão ao legado literário e cultural deixado por uma das obras mais importantes de sua história.


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