150 e 200 Lire– 1976 – San Marino
- awada
- 13 de ago. de 2021
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Atualizado: 23 de jan.
A “Crise do Troco”: As cédulas emergenciais de San Marino entre 1976–1977.


A República de San Marino é um microestado encravado no território italiano. Com apenas 61 km², não possui saída para o mar, mas está a cerca de 10 km da cidade portuária italiana de Rimini, banhada pelo Mar Adriático. Da mesma forma, o aeroporto mais próximo também se localiza em território italiano. Sua língua oficial é o italiano e sua moeda, entre a década de 1860 e 2002 — quando passou a adotar o euro —, foi a lira sanmarinense, sempre atrelada à lira italiana e plenamente intercambiável com ela. Embora possuísse moedas próprias, por acordo com a Itália San Marino não podia cunhá-las em território próprio, sendo obrigada a utilizar a Casa da Moeda italiana. No que se refere ao papel-moeda, San Marino sempre utilizou cédulas da lira italiana. A única exceção ocorreu nos anos de 1976 e 1977, quando cédulas de emergência foram emitidas por algumas de suas instituições bancárias. As duas cédulas aqui apresentadas foram emitidas pela mais antiga delas, a Cassa di Risparmio della Repubblica di San Marino, fundada em 1882, cujo nome pode ser traduzido como “Banco de Poupança”. O motivo dessa emissão emergencial foi a grave escassez de moedas, especialmente as de baixo valor — entre 50 e 300 liras — fundamentais para o comércio cotidiano. Após o abandono, em 1975, dos planos do governo italiano para a implantação de uma nova Casa da Moeda, a estrutura existente mostrou-se incapaz de atender à crescente demanda por moedas, tanto na Itália quanto em San Marino. Com o início da escassez, pequenos comerciantes passaram a oferecer como troco itens como balas, selos ou fichas telefônicas, enquanto alguns lojistas emitiam cupons de crédito para uso em compras futuras. Para amenizar a situação, instituições bancárias italianas e sanmarinenses passaram a emitir “cheques ao portador” de pequeno valor, que podiam ser reunidos e posteriormente trocados por cédulas de maior valor. Essas soluções improvisadas tornaram-se parte do dia a dia da população por um breve período, evidenciando como a falta de numerário afeta diretamente as relações comerciais mais simples. As cédulas emergenciais, embora temporárias, cumpriram um papel essencial ao restaurar a fluidez das transações cotidianas e hoje permanecem como um curioso testemunho de adaptação econômica em um dos menores Estados do mundo.


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