1.000 Pesos – 1985 – México
- awada
- 24 de fev. de 2021
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Atualizado: 16 de nov.
Juana Inés, uma mulher à frente do seu tempo, abalou as estruturas do México colonial ao defender os direitos das mulheres.


No coração da Nova Espanha, nasceu Juana de Asbaje (1651-1695), uma menina que devorava livros com a mesma fome com que outros buscavam o pão. Aos três anos já lia, aos oito fazia versos, e antes da adolescência pedia, com uma ousadia impossível para seu tempo, permissão para estudar como um homem. Por ser mulher e ter nascido fora do casamento, Juana teve poucas oportunidades de educação formal. Negaram-lhe a porta da universidade, mas não puderam fechar-lhe o espírito. Crescida, brilhou na corte mexicana com uma inteligência que fazia estudiosos corarem. Mas Juana, avessa ao casamento e sedenta de liberdade intelectual, decidiu procurar o único refúgio permitido a uma mulher que queria pensar: um convento. Como Sor Juana Inés de la Cruz, transformou sua cela em um farol de saber, onde conviviam poesia, ciência, filosofia e uma biblioteca que era quase um universo. Como poeta e dramaturga, sua escrita desafiava convenções, celebrava a razão e defendia o direito das mulheres ao conhecimento, ousadia que a colocou no centro de conflitos com o clero. No seu poema Hombres Necios (Homens Estúpidos), ela defende o direito da mulher de ser respeitada como pessoa e critica o machismo da sociedade do seu tempo, satirizando os homens que ao mesmo tempo que condenavam a prostituição, se aproveitavam da sua existência. Ainda assim, sua voz permaneceu firme, como na célebre resposta em que afirmou que o entendimento humano não tem gênero. No fim, pressionada a silenciar, Sor Juana devolveu seus livros ao mundo e mergulhou na vida religiosa. Morreu jovem, cuidando das irmãs doentes durante uma epidemia. Mas sua chama, acesa em silêncio, cruzou séculos. Hoje, Juana Inés permanece como a mulher que ousou pensar quando pensar era proibido, e cuja palavra continua iluminando a escuridão.


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