5/10/25/1000 Gulden – 2000 – Suriname
- awada
- 29 de jun. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de out.
Suriname. Um dos países mais multiétnicos da América Latina.








Ao norte do Brasil, na fronteira do Pará e entre a Guiana e a Guiana Francesa, fica o menor país da América do Sul, a República do Suriname. Com seus cerca de 560 mil habitantes distribuídos em uma área de 163 mil km², ele é menor que o Acre e tem menos habitantes que qualquer capital brasileira. Aproximadamente 90% do território é coberto por florestas tropicais, o que o torna um dos países mais preservados ambientalmente do continente. Essas vastas áreas fazem parte da bacia amazônica, com rios caudalosos como o Suriname e o Maroni cortando o território e servindo de vias naturais de transporte. Assim como em grande parte da Amazônia, o território foi inicialmente habitado por povos indígenas – como os arawaks, os caribes e os tiriyós – que viviam da caça, da pesca e da agricultura de subsistência. A partir do século XVI, as potências europeias iniciaram a disputa pela região, atraídas pelo potencial agrícola e pela posição estratégica no Atlântico. O domínio definitivo ficou com a Holanda, que manteve o território sob o nome de Guiana Holandesa por mais de três séculos, período em que o país se estruturou em torno de plantações de cana-de-açúcar e cacau, sustentadas pelo trabalho escravo africano. Durante o regime colonial, milhares de africanos foram trazidos como escravos, e após a abolição, em 1863, a Coroa holandesa passou a importar mão de obra contratada de outras partes do império. Vieram, assim, trabalhadores da Índia britânica e de Java (Indonésia), compondo uma sociedade de origens múltiplas e contrastantes. O Suriname se tornou independente apenas em 25 de novembro de 1975, quando a Holanda reconheceu oficialmente sua soberania. A independência, contudo, foi seguida de tensões políticas e de um período de regime militar nos anos 1980, marcado por golpes e repressão, até o retorno à democracia plena na década de 1990. Embora esteja geograficamente inserido na América do Sul, o Suriname não é considerado um país latino-americano no sentido cultural, já que foi colonizado por holandeses e não por povos ibéricos. Por isso, sua identidade é mais próxima do Caribe, e o país participa ativamente da Comunidade do Caribe (CARICOM). A língua oficial é o holandês, usada na administração, na imprensa e no ensino, mas o sranan tongo – um crioulo de base inglesa e africana – é amplamente falado no cotidiano e serve como idioma de ligação entre os diferentes grupos étnicos. A diversidade étnica é a característica mais marcante da população surinamesa. Os hindustanis (27%) são descendentes de trabalhadores indo-paquistaneses trazidos no século XX; os maroons (22%) descendem de africanos escravizados que fugiram para o interior e fundaram comunidades livres nas florestas; os crioulos (16%) são descendentes de africanos libertos; os javaneses (14%) vêm de imigrantes indonésios do século XIX; os mestiços representam cerca de 13%; os indígenas, 4%; e os brancos, majoritariamente de origem holandesa, somam apenas 0,3% da população – menos até que os brasileiros, estimados em 0,9%. Essa composição faz do Suriname um verdadeiro mosaico cultural, onde convivem templos hindus, mesquitas, igrejas cristãs e casas de culto africano lado a lado, especialmente na capital, Paramaribo – cidade portuária às margens do rio Suriname e patrimônio mundial da UNESCO, notável por sua arquitetura colonial de madeira. Hoje, o país vive principalmente da mineração (bauxita, ouro e petróleo), da exportação de madeira e de uma crescente indústria turística baseada na natureza exuberante. Entre as florestas impenetráveis, os rios serpenteantes e a convivência pacífica entre religiões e idiomas, o Suriname permanece como um dos exemplos mais singulares de coexistência étnica do continente – um pequeno território amazônico onde o mundo inteiro parece ter se encontrado.


Comentários