100 Yuan – 1990 – China, Rep. Popular
- awada
- 15 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de dez. de 2025
A retirada que salvou uma revolução e construiu um império.


No decorrer da história existiram várias ações que se tornaram épicas quando exércitos de menor poder bélico foram levados à vitória por um líder resoluto e astuto. Mas também há casos em que esse objetivo foi alcançado de maneira oposta – por meio de uma retirada estratégica elevada à condição de feito heroico. A partir de 1927, o Partido Comunista Chinês entrou em conflito aberto com o poder dominante na China, representado pelo Partido Nacionalista (Kuomintang) de Chiang Kai-shek. Forçados à clandestinidade, os comunistas estabeleceram no início da década de 1930 diversas áreas sob seu controle no sul do país, culminando em 1931 na proclamação da chamada República Soviética da China. A reação nacionalista foi rápida e contundente: sucessivas campanhas militares cercaram essas bases comunistas e ameaçaram aniquilar completamente o movimento. Diante da iminência da derrota, seus líderes decidiram abandonar a região e empreender uma longa retirada em direção ao interior do país, onde poderiam reorganizar-se e sobreviver. Em outubro de 1934, cerca de 100.000 combatentes do Exército Vermelho, entre eles Mao Tsé-Tung (1893-1976), iniciaram um penoso êxodo de quase 10.000 quilômetros, episódio que ficaria conhecido como “A Longa Marcha”. Ao longo de um ano, atravessaram algumas das regiões mais inóspitas da China, enfrentando tropas nacionalistas, condições climáticas extremas, fome e doenças. Quando os sobreviventes finalmente alcançaram a região de Shaanxi, em outubro de 1935, estima-se que apenas cerca de 20% dos que haviam partido permaneciam vivos. Embora não tenha resultado imediatamente na criação de um novo Estado, a Longa Marcha consolidou a liderança de Mao e transformou-se em um poderoso símbolo de resistência e sacrifício, fortalecendo a identidade e a coesão do Partido Comunista. Aquilo que começou como uma retirada forçada converteu-se numa vitória moral decisiva, um feito lendário que alimentou a luta política e militar que conduziria os comunistas ao poder. Quinze anos depois, em 1949, Mao Tsé-Tung e seus companheiros retratados nesta cédula – Zhu De, Liu Shaoqi e Zhou Enlai – eram os senhores de toda a China, proclamando a fundação da República Popular da China.


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