100 Syrian Pounds – 1978 – Síria
- awada
- 28 de set. de 2021
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Atualizado: 2 de fev.
Zenóbia: A rainha guerreira que desafiou o Império Romano.


No século II d.C., o Império Romano atingiu sua maior extensão territorial, abrangendo vastas áreas da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África. Um dos centros mais importantes desse vasto império era a cidade de Palmira, situada na província romana da Síria. Sua localização estratégica, entre o Mar Mediterrâneo, a oeste, e o rio Eufrates, a leste, fazia dela uma parada quase obrigatória para as caravanas que cruzavam as rotas comerciais ligando o Mediterrâneo à Mesopotâmia e à Ásia — incluindo os circuitos associados à chamada Rota da Seda. Essa posição privilegiada trouxe grande prosperidade à cidade. No século III, Palmira havia se tornado uma das cidades mais ricas do Império Romano e também possuía grande importância militar, atuando como um bastião defensivo contra o Império Sassânida, sucessor do antigo Império Persa e principal rival de Roma no Oriente. Essa força crescente permitiu que Palmira se aproveitasse da chamada Crise do Século III (235-284 d.C.), período marcado por instabilidade política, anarquia militar, guerras civis, invasões bárbaras e peste no Império Romano. Foi nesse contexto que, após a morte de Lúcio Sétimo Odenato (220-267 d.C.) — governante de Palmira e aliado de Roma —, a cidade passou a ser governada por sua viúva, Zenóbia (c. 240–após 274 d.C.), como rainha regente em nome de seu filho Vabalato. A partir de 268, Palmira iniciou um processo de ruptura com a autoridade romana, culminando na formação do chamado Império Palmírico. Mulher culta, poliglota e dotada de habilidade política e militar, Zenóbia liderou a expansão territorial do novo Estado. Entre 269 e 272, seus exércitos conquistaram vastas regiões do Oriente romano, incluindo a Síria, o Egito, a Palestina, o Líbano e partes da Anatólia. Em 270, Zenóbia assumiu o controle do Egito — uma das províncias mais estratégicas de Roma — e passou a cunhar moedas com a imagem de seu filho e, posteriormente, com títulos imperiais associados à sua própria autoridade. Embora afirmasse descender de Cleópatra, sua ambição imperial no Egito acabou encontrando forte resistência. A reação romana veio com a ascensão do imperador Aureliano, em 270. Determinado a restaurar a unidade do império, ele lançou campanhas militares bem-sucedidas no Oriente e derrotou sucessivamente as forças de Zenóbia. Em 272, após o cerco de Palmira, a rainha foi capturada ao tentar fugir em direção ao território persa. Levada para Roma, o imperador organizou uma marcha triunfal na qual expôs sua prisioneira humilhada. Seu reinado foi breve, mas sua trajetória de ascensão e queda marcou profundamente a história romana. Zenóbia tornou-se símbolo de resistência, poder feminino e autonomia política, inspirando historiadores, artistas e escritores ao longo dos séculos. Na Síria contemporânea, ela permanece como uma figura histórica emblemática e uma heroína nacional.


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