100 Rupees – 2018 – Índia
- awada
- 16 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de dez. de 2025
"Olho por olho só acaba deixando o mundo todo cego." (Mahatma Gandhi)


A pessoa retratada nesta cédula é uma das faces mais reconhecidas do mundo: Mahatma Gandhi (1869–1948), sendo Mahatma um honorífico em sânscrito que significa “grande alma” ou “venerável”. Na Índia, era chamado carinhosamente de Bapu, termo que remete a “pai” ou “papai”, imagem reforçada por sua vida simples e austera, frequentemente descrita como a de uma “grande alma em vestes de mendigo”. A veneração popular por Gandhi é tamanha que, desde 1996, todas as cédulas da Índia trazem sua imagem. Ainda assim, ele próprio rejeitava o que chamava de “gandismo”, recusando qualquer culto à sua personalidade. Costumava afirmar que nada tinha de novo a ensinar ao mundo, pois “a verdade e a não violência são tão antigas quanto as colinas”. Apesar dessa humildade declarada, Gandhi transformou princípios éticos milenares em uma poderosa ferramenta política. Ao empregar a resistência pacífica e a desobediência civil na luta pela independência da Índia do domínio britânico, ofereceu um modelo de ação capaz de mobilizar milhões sem recorrer à violência. Sua influência estendeu-se ainda à defesa dos direitos das mulheres, à crítica do sistema de castas e ao apelo constante por dignidade e justiça para todos, independentemente de religião, origem ou posição social. Por essas razões, Gandhi foi imortalizado no imaginário coletivo como um herói dos direitos humanos e como o grande símbolo dos protestos não violentos, inspirando movimentos sociais em diversas partes do mundo. Consciente de que sua força não residia na figura individual, mas na ideia, Gandhi declarou certa vez: “Depois que eu me for, nenhuma pessoa será completamente capaz de me representar, mas um pouco de mim viverá em muitos de vocês. Se cada um colocar a causa em primeiro lugar e a si próprio por último, grande parte do vácuo será preenchido.” Essa visão ganharia um significado trágico nos meses finais de sua vida, marcados por profundas tensões religiosas após a independência e a Partição do subcontinente indiano. Em 30 de janeiro de 1948, pouco mais de quatro meses após a Índia tornar-se oficialmente independente, Gandhi foi assassinado a tiros por Nathuram Godse, um extremista hindu que o acusava de ser excessivamente conciliador com os muçulmanos e com o recém-criado Paquistão. Para seus opositores mais radicais, a defesa intransigente da convivência religiosa e a condenação da violência sectária representavam uma traição aos interesses nacionais. Assim, o homem que dedicara a vida a combater o ódio religioso acabou tornando-se vítima dele. No memorial erguido em sua homenagem em Nova Déli, lê-se um epitáfio simples e profundamente simbólico – “Oh Deus” –, registradas como suas últimas palavras.


Comentários