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200 Rubley – 2017 – Rússia

  • awada
  • 16 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de dez. de 2025

Sebastopol: A cidade portuária que afundou seus próprios navios.



A cidade de Sebastopol ocupa um lugar singular na história russa e euroasiática, estreitamente ligada ao poder naval no Mar Negro. Fundada em 1783, logo após a incorporação da Crimeia pelo Império Russo, a cidade foi concebida desde o início como principal base da Frota do Mar Negro, tornando-se um dos mais importantes portos militares do sul da Rússia. Essa vocação marítima moldou não apenas sua função estratégica, mas também sua identidade histórica e simbólica. O episódio mais emblemático dessa tradição naval ocorreu durante a Guerra da Crimeia (1853–1856), quando forças do Império Otomano, França, Reino Unido e do Reino da Sardenha sitiaram Sebastopol. Para impedir que a frota inimiga penetrasse na enseada, os russos tomaram a decisão extrema de afundar deliberadamente seus próprios navios entre 1854 e 1855, bloqueando o acesso ao porto e transformando embarcações em barreiras defensivas submersas. Em memória desse sacrifício, foi erguido em 1905 o Monumento aos Navios Afundados, uma coluna de pedra coroada por uma águia de bronze, posicionada diretamente sobre as águas da baía. Mais do que um memorial, o monumento tornou-se um poderoso símbolo de  resistência, lealdade e da ligação indissociável entre Sebastopol e sua frota. No século XX, Sebastopol consolidou-se como quartel-general da Frota do Mar Negro da União Soviética, desempenhando papel central durante a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, na Guerra Fria. Com o colapso da URSS em 1991, a frota foi dividida entre Rússia e Ucrânia, mas a maior parte dos navios e da infraestrutura permaneceu sob controle russo, mediante acordos de arrendamento que permitiam sua permanência legal em território ucraniano. Essa continuidade histórica ajuda a explicar por que Sebastopol manteve, mesmo após a independência da Ucrânia, um forte caráter russo e militar. Assim, ao figurar em uma cédula russa, o Monumento dos Navios Afundados não representa apenas um episódio do passado imperial, mas sintetiza mais de dois séculos de presença naval, disputas geopolíticas e a importância estratégica duradoura da Frota do Mar Negro na história da região.


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