100 Riels– 1957-75 – Camboja
- awada
- 18 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de jan.
“Uma mentira pode salvar seu presente, mas condena o seu futuro.” (Buda)


A face esculpida na rocha vista nesta cédula encontra-se no Templo Bayon, em Angkor, no Camboja. Também conhecido como o “Templo das Faces”, ele foi construído no final do século XII por Jayavarman VII, um dos mais poderosos reis do Império Khmer e responsável pela adoção do budismo como religião oficial do Estado, em substituição ao hinduísmo. As enigmáticas faces do templo são geralmente associadas a Avalokiteshvara, cujo nome em sânscrito significa “Aquele que ouve os clamores do mundo”. Avalokiteshvara é um bodisatva na tradição budista — um ser iluminado que, movido pela compaixão, se dedica a auxiliar outros a alcançarem a iluminação, um estado de consciência marcado pela paz e pela compreensão profunda da existência. Ele personifica duas qualidades essenciais do Buda: a sabedoria e a compaixão ilimitadas. O budismo teve origem entre os séculos VI e V a.C., quando nasceu Siddhartha Gautama, filho de um poderoso rei no norte da Índia. Criado em meio ao luxo e ao conforto, Siddhartha viveu afastado das durezas da vida até os 29 anos, quando deixou o palácio pela primeira vez. Ao deparar-se com a doença, a velhice e a morte, passou a questionar por que os seres humanos sofrem e qual seria a origem desse sofrimento. Profundamente perturbado, Siddhartha abandonou suas vestes luxuosas, deixou sua família e iniciou uma longa jornada em busca de respostas. Durante seis anos, percorreu o reino, estudou com sábios e viveu de esmolas. Por fim, decidiu meditar sob uma figueira, permanecendo imóvel por quarenta dias e quarenta noites, exposto ao sol e à chuva. Ao término desse período, alcançou um estado de profunda compreensão conhecido como iluminação. Siddhartha compreendeu que o sofrimento humano nasce do desejo e do apego, e que é possível superá-lo por meio da meditação, da conduta ética e da sabedoria. Essa realização o libertou do ciclo de nascimento, morte e renascimento — o samsara. Reconhecido por seus ensinamentos, passou a ser conhecido como o Buda, termo que significa “o iluminado” ou “o desperto”. Assim como o Buda, Avalokiteshvara renunciou aos prazeres mundanos e atingiu a iluminação. Contudo, por compaixão, adiou sua entrada no nirvana — o estágio final do samsara — para permanecer no mundo e auxiliar todos os seres em sua busca pela libertação.


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