100 Pesos – 2020 – México
- awada
- 7 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de fev.
Borboleta-Monarca: Um Patrimônio Natural ameaçado.


A Reserva da Biosfera da Borboleta-Monarca, retratada no reverso desta cédula, é reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2008. Localizada nas florestas de pinheiros e carvalhos dos estados de Michoacán e do México, a cerca de 100 km da Cidade do México, a reserva abriga a maior parte dos sítios de invernada da população oriental da borboleta-monarca. Embora possua aproximadamente 56 mil hectares, as colônias ocupam apenas pequenas áreas densamente arborizadas entre outubro e março, quando milhões de indivíduos se agrupam nos troncos e galhos para sobreviver ao inverno do hemisfério norte. A carismática borboleta-monarca (Danaus plexippus) é famosa por realizar uma das mais impressionantes migrações do reino animal: até cerca de 4.800 quilômetros desde o sul do Canadá e o norte dos Estados Unidos até o México — e, no caso da população ocidental, até a Califórnia. Esse fenômeno envolve múltiplas gerações ao longo do ano, culminando na chamada “geração migratória”, que vive mais tempo e completa a viagem rumo ao sul. Nas últimas duas décadas, contudo, os censos indicam declínios significativos na área ocupada pelas colônias no México. Entre os principais fatores estão a perda de habitat, o desmatamento ilegal nas áreas de invernada, o uso intensivo de herbicidas nas lavouras de milho e soja — que eliminam as asclépias (milkweeds), únicas plantas hospedeiras das lagartas — e os impactos das mudanças climáticas. O aumento do dióxido de carbono pode alterar a composição química das asclépias, potencialmente afetando o desenvolvimento das larvas, que dependem dessas plantas tanto para alimentação quanto para acumular compostos tóxicos que as protegem de predadores. Além disso, temperaturas mais elevadas e eventos climáticos extremos vêm alterando áreas de reprodução e ampliando os desafios da migração. Embora ainda não esteja extinta, a monarca tornou-se símbolo de alerta ecológico na América do Norte. Cientistas afirmam que há tempo para reverter a tendência, por meio da restauração de habitats, do plantio de asclépias nativas e da proteção rigorosa das florestas mexicanas. No Brasil, existem populações de monarcas, mas também diversas espécies que exibem coloração semelhante por meio do mimetismo — uma estratégia evolutiva que confunde predadores ao imitar espécies tóxicas. A história da borboleta-monarca mostra como um fenômeno natural grandioso pode ser desmontado em poucas décadas por ações humanas cumulativas. Se a degradação continuar no ritmo atual, não perderemos apenas uma espécie icônica — perderemos um espetáculo migratório único do planeta. Preservar a monarca não é apenas salvar uma borboleta; é testar se somos capazes de proteger os ciclos vitais que sustentam a própria biodiversidade da qual dependemos.


Comentários