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100 Pesos – 2007 – México

  • awada
  • 15 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de dez. de 2025

"Se Adelita se fosse com um outro, a seguiria por terra e por mar; se por mar em um navio de guerra, se por terra em um trem militar." (canção folclórica mexicana)




Emitida em homenagem ao Centenário da Revolução Mexicana (1910–2010) esta cédula constrói uma poderosa narrativa visual sobre um dos períodos mais decisivos da história do país. No seu centro está a locomotiva a vapor nº 279, uma presença imponente que evoca o movimento e a força coletiva que impulsionaram a revolução contra a longa ditadura de Porfirio Díaz. Fabricada em 1904 pela Baldwin Locomotive Works, da Filadélfia, a locomotiva integrou a malha ferroviária do estado de Morelos, região profundamente marcada pela luta agrária e pela liderança de Emiliano Zapata. Durante a Revolução Mexicana, as ferrovias tornaram-se verdadeiras artérias da guerra: por elas circulavam soldados, armas, mantimentos e esperanças. Os trens permitiram que exércitos populares, formados em grande parte por camponeses, se deslocassem com rapidez inédita, transformando a paisagem rural em cenário de confrontos decisivos. A locomotiva simboliza não apenas um meio de transporte, mas o avanço inexorável da revolução, o ruído metálico do progresso convertido em instrumento de luta social. Ao seu lado surge a figura humana que lhe confere alma: a imagem recortada de uma fotografia histórica de “Adelita” apoiada nos degraus de um vagão ferroviário, com o olhar firme voltado para os trilhos à frente. Adelita tornou-se o rosto simbólico das “soldaderas”, mulheres que acompanharam os exércitos revolucionários em sua marcha pelo território mexicano. Longe de serem personagens secundárias, as soldaderas desempenharam funções vitais: cozinhavam, cuidavam dos feridos, transportavam suprimentos e munições, mantinham a coesão dos grupos e, em muitos casos, empunhavam armas e combatiam ao lado dos homens. Sua presença constante nos trens e acampamentos transformou a revolução em um movimento profundamente popular e familiar, onde a guerra se misturava à vida cotidiana. Esse símbolo visual encontra sua expressão mais duradoura na canção “La Adelita”, uma das mais famosas canções folclóricas da Revolução Mexicana. Ela conta a história de uma jovem que acompanha bravamente um sargento revolucionário durante as campanhas de seu regimento, tornando-se objeto de admiração e amor. Um trecho dessa canção está inscrito na própria cédula, unindo palavra, imagem e história em uma única narrativa simbólica.

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