top of page

100 Pesetas – 1965 – Espanha

  • awada
  • 14 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 17 de jan.

"A solidão é muito bela, mas quando se tem perto de si alguém a quem o dizer." (Gustavo Bécquer)



Gustavo Adolfo Bécquer (1836–1870) foi um poeta e escritor romântico espanhol, natural de Sevilha, que em vida não alcançou grande reconhecimento, mas que após a morte se consagrou como um dos autores mais lidos da literatura espanhola, atrás apenas de Miguel de Cervantes. Sua obra mais conhecida, Rimas y Leyendas, reúne poemas e narrativas em prosa marcados por lirismo, introspecção e uma sensibilidade que anteciparia caminhos da poesia moderna. Descendente de uma família nobre e tradicional de origem flamenca, ligada às artes visuais, Bécquer teve entre seus antepassados pintores de costumes andaluzes. Tanto ele quanto seu irmão Valeriano possuíam talento para o desenho; contudo, Gustavo nunca se dedicou seriamente a essa arte. Valeriano, ao contrário, fez do desenho sua profissão e foi o autor do retrato de Bécquer reproduzido nesta cédula. Desde cedo, o grande interesse de Gustavo Adolfo foi a literatura. Movido pelo sonho de tornar-se poeta e viver de sua escrita, mudou-se ainda jovem para Madri. A realidade, porém, mostrou-se dura e distante de suas expectativas. Sem estabilidade financeira, passou a levar uma vida boêmia e a sobreviver escrevendo comédias, libretos e textos jornalísticos, muitas vezes sob pseudônimo, satirizando o ambiente burguês e pouco receptivo à arte que o cercava. Aos 21 anos, foi diagnosticado com tuberculose, doença que o acompanharia pelo resto da vida e contribuiu para seu frágil estado de saúde. Nos últimos dias, já gravemente enfermo em Madri, pediu aos amigos que cuidassem de seus filhos, que destruíssem suas cartas — que julgava comprometedoras — e que publicassem seus versos, convicto de que somente após sua morte eles lhe trariam a glória que lhe fora negada em vida. Bécquer faleceu aos 34 anos, no mesmo dia em que um eclipse solar foi observado na Espanha, fato que reforçou o tom simbólico e quase mítico de sua despedida. A trajetória de Gustavo Adolfo Bécquer exemplifica um fenômeno recorrente na história da arte: o reconhecimento tardio de criadores que, incompreendidos ou negligenciados em seu tempo, só alcançam plena valorização após a morte. Assim como ocorreu com tantos artistas da literatura, da pintura, da música e de outras expressões artísticas, sua obra sobreviveu às dificuldades materiais e ao silêncio do presente para conquistar leitores e admiradores no futuro. A glória póstuma de Bécquer não apenas confirmou sua intuição final, como também reafirmou que o verdadeiro valor da arte, muitas vezes, só se revela com o distanciamento do tempo.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page