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100 Ouguiya – 1973 – Mauritânia

  • awada
  • 12 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 22 de dez. de 2025

Mauritânia: O último reduto da escravidão tradicional no mundo.




A escravidão sempre esteve profundamente enraizada na estrutura social da Mauritânia, antiga colônia francesa localizada no noroeste da África, que conquistou sua independência em 1960. Ainda sob domínio colonial, a administração francesa declarou oficialmente o fim da escravidão em 1905; contudo, a medida teve impacto quase nulo fora dos centros administrativos, permitindo que práticas tradicionais de servidão continuassem intactas. Após a independência, a Mauritânia manteve por décadas uma ambiguidade legal em relação ao tema. Apenas em 1981 o país aboliu formalmente a escravidão, tornando-se o último do mundo a fazê-lo por decreto oficial. No entanto, essa abolição não previa punições aos responsáveis, o que na prática manteve a instituição viva. Somente em 2007, sob intensa pressão internacional, a posse de escravos passou a ser considerada crime, com penas previstas em lei. Reformas posteriores, especialmente em 2015, endureceram as punições e classificaram a escravidão como crime contra a humanidade. Apesar desse arcabouço legal, a realidade no país permanece alarmante. O Índice Global da Escravidão da Fundação Walk Free estimou, em 2018, cerca de 90.000 pessoas vivendo em condições de escravidão na Mauritânia, o equivalente a aproximadamente 2,1% da população. Trata-se de uma das maiores proporções do mundo contemporâneo. A persistência do problema está ligada a fatores estruturais profundos: hierarquias sociais herdadas, pobreza extrema, dificuldade de fiscalização em vastas regiões desérticas e a crença, ainda presente em alguns setores, de que a escravidão faz parte da ordem social tradicional. Em grande parte dos casos, a população escravizada é composta por negros haratines submetidos historicamente a “mestres” árabes ou berberes, em relações muitas vezes hereditárias. O governo mauritano, por sua vez, sustenta há décadas a posição oficial de que a escravidão foi erradicada, tratando denúncias como interferência externa ou manipulação política. Essa negação contribui para a baixa aplicação das leis e para a escassez de condenações efetivas. Assim, mais do que um problema jurídico, a escravidão na Mauritânia permanece como uma chaga social profunda — um passado que insiste em sobreviver no presente, desafiando leis, discursos oficiais e a própria noção de liberdade no século XXI.

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