100 Kyats – 1958 – Birmânia
- awada
- 26 de ago. de 2021
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Atualizado: 25 de jan.
Pavão: O pássaro que se tornou símbolo da realeza e da emancipação de uma nação.


Adotado tanto por reis quanto por movimentos de emancipação, o pavão da Birmânia — atual Mianmar — é, há séculos, um símbolo nacional de orgulho e resistência. No entanto, esses pássaros tornaram-se cada vez mais raros na natureza. Décadas atrás, com sua plumagem verde iridescente e as famosas penas longas da cauda, os pavões eram presença comum em diversas regiões do país. Hoje, como tantos outros representantes icônicos da fauna de Mianmar, sofreram um declínio severo em razão da caça ilegal desenfreada e da perda de habitat, agravadas por décadas de políticas de conservação frágeis ou ineficazes. Para os birmaneses, essa redução populacional é mais do que uma tragédia ambiental: representa um abalo na própria identidade nacional. Antes do domínio colonial britânico, o pavão era um emblema oficial da realeza, figurando em vestimentas cerimoniais, tronos e bandeiras. Durante a luta contra os britânicos no início do século XX, o herói da independência Aung San (1915–1947), retratado nesta cédula, reforçou esse simbolismo ao criar a revista Fighting Peacock (“Pavão Lutador”), associando o animal à ideia de resistência e autodeterminação. Décadas mais tarde, sua filha Aung San Suu Kyi e a Liga Nacional para a Democracia adotaram o pavão como símbolo partidário durante os longos anos de oposição ao regime militar. Sempre que protestos tomavam as ruas de Yangon, a maior cidade do país, bandeiras com o pavão podiam ser vistas tremulando entre a multidão. Ao longo da história de Mianmar, o pássaro também foi uma imagem recorrente em suas cédulas, reforçando o elo entre natureza, poder e identidade nacional. Hoje, contudo, cresce o temor de que o pavão birmanês sobreviva apenas como imagem histórica — nos livros, nas cédulas antigas e nos comícios políticos. Classificado na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), seu futuro depende de ações concretas e urgentes de proteção ambiental. Preservar o pavão não é apenas salvar uma espécie, mas manter viva uma parte essencial da memória, da cultura e do espírito de resistência do povo de Mianmar.


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