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100 Kwacha – 1991 – Zâmbia & 20 Dollars – 1983 – Zimbábue

  • awada
  • 26 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de fev.

A fumaça que troveja: Zâmbia e Zimbábue unidas pela água.



Assim como as Cataratas do Iguaçu marcam a fronteira entre Brasil e Argentina, e as Cataratas do Niágara separam Canadá e Estados Unidos, as Cataratas Vitória — retratadas nas cédulas acima — dividem Zâmbia e Zimbábue, na África Austral. Consideradas uma das quedas d’água mais espetaculares do planeta, elas integram, juntamente com os parques nacionais situados em ambos os lados da fronteira, a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Embora o explorador e missionário escocês David Livingstone (1813–1873) seja reconhecido como o primeiro europeu a avistá-las, em 1855, há hipóteses de que missionários portugueses possam ter chegado à região décadas antes. Livingstone batizou as quedas em homenagem à rainha Vitória do Reino Unido, nome pelo qual são internacionalmente conhecidas até hoje. Entretanto, muito antes disso, as cataratas já possuíam um nome na língua do povo Kololo: Mosi-oa-Tunya, “a fumaça que troveja” — uma referência precisa à imensa coluna de vapor d’água que se ergue da garganta escavada pelo rio. O próprio Livingstone afirmaria mais tarde que aquela foi a visão mais impressionante de seus trinta anos de exploração na África. Outros exploradores visitaram a região nas décadas seguintes, mas o acesso permaneceu difícil até cerca de 1905, quando a construção da linha férrea que cruza a área impulsionou a chegada de viajantes. Hoje, as Cataratas Vitória recebem mais de 300 mil visitantes por ano. Com 108 metros de altura e 1.708 metros de largura, não são as mais altas nem as mais largas do mundo. Ainda assim, ostentam um título singular: formam a maior cortina contínua de água em queda do planeta. Ao despencar por uma ampla parede de basalto, o antes sereno rio Zambeze transforma-se numa torrente poderosa que esculpe uma sucessão de dramáticos desfiladeiros. Mas nem mesmo essa grandiosidade está imune às transformações ambientais. Em dezembro de 2019, durante uma das secas mais severas do século, o volume do rio Zambeze caiu drasticamente, reduzindo trechos da catarata a meros filetes de água — um contraste chocante com a imagem da “fumaça que troveja”. Episódios extremos sempre fizeram parte da dinâmica climática da região; contudo, quando se tornam mais frequentes, deixam de ser exceção e passam a soar como advertência. As Cataratas Vitória simbolizam força, beleza e permanência. Ainda assim, sua vulnerabilidade recente nos lembra de uma verdade incômoda: até mesmo as maravilhas naturais mais imponentes dependem do equilíbrio ambiental que nós, como sociedade global, estamos colocando à prova.

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