top of page

100 Kroner – 1984 – Dinamarca

  • awada
  • 11 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de jan.

Antes da era da fotografia, a pintura retratista era a forma de eternizar as pessoas.



A segunda metade do século XVIII testemunhou o surgimento de um novo tipo de negócio no campo da pintura retratista. A sociedade europeia vivia um período de acelerado crescimento comercial e urbano e, com uma burguesia em expansão e dotada de recursos para consumir bens de luxo, os retratos passaram a oferecer um meio eficaz de afirmação de status social, identidade e prestígio. O gênero retratista conquistou novos públicos e passou a rivalizar, e em muitos casos a suplantar, outros estilos tradicionais, subvertendo a hierarquia acadêmica que colocava a pintura histórica ou religiosa acima da pintura de retrato, da paisagem e das naturezas-mortas. Nesse contexto, pintores de retratos prolíficos e bem-sucedidos se estabeleceram por toda a Europa, alcançando não apenas estabilidade financeira, mas também reconhecimento social como figuras públicas. Artistas como Joshua Reynolds (1723–1792), na Inglaterra, Anton Graff (1736–1813), nos territórios germânicos, e Jens Juel (1745–1802), na Dinamarca, figuram entre os principais representantes dessa geração de retratistas. Jens Juel é considerado um dos mais importantes retratistas da história da arte e da cultura dinamarquesa. Sua vasta produção — estimada em cerca de mil pinturas, além de pastéis, esboços e desenhos — encontra-se hoje dispersa por museus e coleções ao redor do mundo. Ele pode ser visto como um dos primeiros pintores dinamarqueses a atuar de forma claramente profissional e comercial, bem como um dos primeiros artistas do país a alcançar reputação internacional ainda em vida. Extremamente requisitado pela família real dinamarquesa, pela nobreza e pela burguesia emergente, Juel soube aliar talento artístico a um sólido senso de negócios, adaptando-se com agilidade às mudanças sociais e às demandas estéticas de seu tempo. Não por acaso, sua obra foi homenageada em uma série de seis cédulas dinamarquesas que circularam por aproximadamente 26 anos, todas elas apresentando retratos por ele desenhados, incluindo o célebre autorretrato realizado aos 21 anos de idade, reproduzido na cédula de 100 kroner aqui apresentada. Antes do advento da fotografia, o retrato pintado desempenhava um papel insubstituível: era simultaneamente registro visual, construção de memória e instrumento de afirmação social. Esses retratos não apenas preservavam feições e expressões, mas também comunicavam posição social, valores culturais e aspirações individuais. Nesse sentido, artistas como Jens Juel foram fundamentais para moldar a forma como gerações inteiras seriam vistas e lembradas, deixando um legado visual que ultrapassa a estética e se inscreve na própria história da sociedade europeia.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page