top of page

100 Kip – 1957 – Laos

  • awada
  • 3 de ago. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 29 de mar.

Realeza, constituição e espiritualidade: Os três pilares do Reino do Laos.




A pessoa retratada nesta cédula, em luxuosa vestimenta coberta de condecorações, é o rei Sisavang Vong (1885–1959). Ele reinou em Luang Prabang de 1904 a 1945, tendo ascendido ao trono ainda jovem, e posteriormente tornou-se o primeiro monarca do Laos unificado, de 1946 até sua morte. O Reino de Luang Prabang, formado em 1707, manteve-se historicamente frágil, frequentemente submetido à influência e ao pagamento de tributos a reinos vizinhos. Em 1887, optou por aceitar a proteção francesa, sendo incorporado à Indochina Francesa como protetorado. Esse arranjo perdurou até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando emergiu o Reino do Laos, ainda sob forte influência francesa, mas formalmente independente. Durante a juventude, Sisavang Vong ganhou fama por seu estilo de vida opulento e por manter uma extensa família, prática não incomum entre monarcas da região à época. Durante a Segunda Guerra Mundial, permaneceu no trono sob ocupação japonesa. Em 1945, ao recusar apoiar o movimento nacionalista liderado pelo Lao Issara, que proclamou a independência do país, acabou sendo deposto. No entanto, com a restauração do controle francês pouco depois, foi reconduzido ao trono, consolidando-se como figura central na transição do Laos para uma monarquia constitucional. No desenho da cédula, a figura do rei não ocupa o centro — uma escolha significativa. O espaço central é reservado a um conjunto simbólico composto por cálices reais sobrepostos a um livro, identificado como o “Livro da Constituição”, representação da ordem constitucional que passou a reger o país. Esse elemento visual reflete a tentativa de equilibrar a autoridade tradicional do monarca com as novas estruturas institucionais do Estado moderno. No lado oposto, destacam-se quatro Nagas, progressivamente maiores, com corpos em tons vibrantes e faces ricamente detalhadas, todas voltadas para o centro da composição. Associadas ao rio Mekong, as Nagas são consideradas ancestrais e protetoras do povo laosiano. Presentes tanto no Budismo quanto no Hinduísmo, simbolizam proteção, fertilidade e elevação espiritual, sendo frequentemente retratadas como guardiãs dos ensinamentos de Buda. Assim, a composição da cédula articula três pilares fundamentais da identidade do Laos naquele período: a figura do rei como símbolo de continuidade histórica, a constituição como expressão da modernização política e as Nagas como representação das raízes espirituais e míticas do povo. Juntos, esses elementos formam uma narrativa visual de equilíbrio entre tradição, legitimidade e transcendência cultural.

bottom of page