100 Gourdes – 1979 – Haiti
Atualizado: 17 de out.
O primeiro monarca no Novo Mundo não foi mexicano nem brasileiro, e sim haitiano.


Após a chegada dos europeus à América, no final do século XV, o continente conheceu três experiências de monarquia independente estabelecidas em territórios americanos: o Império do Haiti (1804-1806), o Império do México (1821-1823) e o Império do Brasil (1822-1889). Essas monarquias tiveram origens muito diferentes: a primeira nasceu de uma revolução de escravizados contra o império colonial francês; a segunda surgiu em meio à crise do domínio espanhol; e a terceira resultou da separação negociada de uma colônia portuguesa. O Haiti foi a primeira das três experiências imperiais independentes, nascida da Revolução Haitiana, uma revolta que destruiu o sistema escravista colonial francês. Em 1º de janeiro de 1804, Jean-Jacques Dessalines proclamou a independência do país e, em setembro, assumiu o título de imperador Jacques I. Seu governo, entretanto, durou pouco: Dessalines foi assassinado em outubro de 1806, e o Império se desintegrou. Após o assassinato de Dessalines o país se dividiu politicamente. Henri Christophe — o personagem retratado nesta cédula — assumiu o governo da parte norte do Haiti, enquanto Alexandre Pétion liderou uma república no sul. Embora não haja consenso histórico de que Henri Christophe tenha participado diretamente do assassinato de Dessalines, há, contudo, indícios de que ele conhecia a oposição ao imperador e de que se beneficiou politicamente de sua morte. Em 1811, Christophe transformou seu Estado em reino e adotou o título de Henri I. O projeto de Christophe ia muito além da adoção de uma coroa. Ele procurou organizar um Estado centralizado, com administração própria, forças armadas, legislação, comércio exterior e uma elite aristocrática. Criou títulos de nobreza — príncipes, duques, condes e barões — inspirados em modelos europeus, numa tentativa de conferir prestígio e estabilidade à nova monarquia. Essa escolha entretanto continha um paradoxo: uma revolução que havia derrubado a ordem colonial e escravista produzia agora uma sociedade altamente hierarquizada, com privilégios para a corte e rígido controle sobre os trabalhadores rurais. Em 1820, o regime entrou em crise. Problemas de saúde do rei, descontentamento com a disciplina imposta à população e divisões entre as forças militares enfraqueceram sua autoridade. Uma revolta começou em outubro, e Christophe, diante do colapso de seu governo, se suicidou em 8 de outubro de 1820. Após sua morte, seu filho, Jacques-Victor Henry, foi proclamado rei como Henri II, mas foi morto poucos dias depois, encerrando qualquer possibilidade de continuidade dinástica. O norte foi então reunificado com o sul sob a liderança de Jean-Pierre Boyer, que passou a governar um Haiti republicano unificado.

