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100 Franken – 1967 – Suiça

  • awada
  • 25 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 25 de fev.

São Martinho: De soldado do Império Romano à soldado da fé cristã.



Três anos após o imperador romano Constantino I promulgar, em 313, o Édito de Milão — que concedeu liberdade de culto aos cristãos — nascia em Sabária, na então Panônia (atual Hungria), Martinho de Tours (316–397), figura decisiva no avanço da cristianização da Europa Ocidental. Filho de uma família romana pagã, Martinho aproximou-se do cristianismo ainda na infância. Seu pai, militar de carreira, alistou-o no exército romano na tentativa de afastá-lo da fé nascente. Foi durante o serviço militar que ocorreu o célebre episódio do manto, por volta de 337, na cidade francesa hoje conhecida como Amiens. Diante de um mendigo que tremia de frio, Martinho, sem dinheiro para oferecer, cortou seu próprio manto com a espada e entregou metade ao pobre. Segundo a tradição, naquela noite Cristo lhe apareceu em sonho vestindo o manto repartido, gesto que selou definitivamente sua conversão interior. Após deixar o exército, Martinho dedicou-se à vida monástica. Em 361, fundou próximo a Tours o mosteiro de Ligugé, considerado o primeiro mosteiro da Gália e um dos mais antigos da Europa Ocidental. Sua atuação missionária foi intensa, marcada pela evangelização rural e pelo combate às práticas pagãs ainda enraizadas nas províncias romanas. Em 371, foi aclamado bispo de Tours, mas manteve um estilo de vida austero, conciliando a função episcopal com a vida monástica e a ação pastoral itinerante. Venerado como um dos santos mais populares da Idade Média, Martinho tornou-se o primeiro santo não mártir a receber culto oficial amplamente difundido na Igreja latina. Sobre sua tumba ergueu-se uma importante basílica em Tours, transformando a cidade em centro de peregrinação. O edifício, porém, sofreu graves danos ao longo da história: foi saqueado pelos huguenotes em 1562, durante as Guerras de Religião francesas, e posteriormente desconsagrado e demolido após a Revolução Francesa. As pedras foram vendidas no início do século XIX, e apenas em 1860 a tumba foi redescoberta, impulsionando o renascimento da devoção ao santo. Uma nova basílica começou a ser construída em 1886 e foi consagrada em 1925. A cédula suíça vista acima imortaliza o episódio do manto por meio de uma refinada gravura inspirada no célebre afresco pintado por Simone Martini por volta de 1317-1320 no ciclo dedicado à vida do santo na Basílica de São Francisco de Assis. A composição tornou-se um modelo iconográfico duradouro: o santo montado a cavalo, em postura elegante e cortês, corta o manto com a espada para socorrer o pobre semidespido. A gravura da cédula suíça não é uma cópia literal do afresco, mas uma adaptação estilizada inspirada diretamente nessa tradição iconográfica gótica italiana. O tratamento linear elegante, a postura nobre do cavalo e o gesto quase teatral da divisão do manto revelam essa filiação artística. Assim, a cédula não apenas celebra a figura espiritual de São Martinho, mas também dialoga com uma tradição artística medieval que consolidou sua imagem como símbolo universal de caridade e compaixão.


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