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1.000 Francs – 1994 – Togo

  • awada
  • 26 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de fev.

Entre mandatos coloniais e golpes militares: A história política do Togo.



Togo, pequeno país da África Ocidental com território estreito que se estende do Golfo da Guiné ao interior do continente, figura entre as nações de menor renda do mundo. Dados recentes do Banco Mundial indicam que uma parcela significativa da população vive abaixo da linha de pobreza extrema internacional (US$ 2,15 por dia por pessoa). Entre os séculos XV e XIX, a faixa costeira da África Ocidental tornou-se um dos principais centros do tráfico atlântico de escravizados. A região onde hoje está o Togo integrou a chamada “Costa dos Escravos”, embora o atual território togolês não tenha sido o núcleo mais ativo desse comércio quando comparado a áreas vizinhas, como o atual Benim. Em 1884, o explorador alemão Gustav Nachtigal firmou tratados de proteção com chefes locais, estabelecendo o protetorado da Togolândia sob o Império Alemão. A administração alemã (1884–1914) estruturou infraestrutura e plantações voltadas à exportação, mas apoiou-se amplamente no trabalho forçado da população africana. Durante a Primeira Guerra Mundial, tropas francesas e britânicas ocuparam o território em 1914, consolidando o controle em 1916. Em 1922, a Liga das Nações formalizou a divisão da antiga colônia alemã em dois mandatos: a Togolândia Britânica e a Togolândia Francesa. A parte britânica foi administrada a partir da Costa do Ouro e, após plebiscito em 1956, integrou-se ao território que se tornaria o Gana independente em 1957. Já a parte francesa transformou-se na República Autônoma do Togo em 1956, dentro da Comunidade Francesa. A independência plena foi proclamada em 27 de abril de 1960. Em 1961, Sylvanus Olympio venceu as eleições presidenciais e consolidou um regime de partido dominante. Contudo, em janeiro de 1963, ele foi deposto e assassinado durante o primeiro golpe militar da história do país — episódio que inauguraria uma longa fase de instabilidade política. Após um breve governo civil, em 1967 o então tenente-coronel Gnassingbé Eyadéma liderou novo golpe e assumiu o poder. Instituiu um regime de partido único e governou por 38 anos, até sua morte em 2005. Em seguida, seu filho, Faure Gnassingbé, assumiu a presidência em meio a forte contestação interna e críticas internacionais. Ele permanece no poder desde então, após sucessivas eleições marcadas por denúncias de irregularidades, repressão a opositores e reformas constitucionais controversas — incluindo mudanças que lhe permitiram estender sua permanência no cargo. Assim, desde a independência, o Togo conheceu golpes militares, assassinatos políticos e um prolongado domínio familiar que atravessa gerações. A promessa republicana de 1960 — de soberania popular e alternância democrática — tem sido repetidamente ofuscada por disputas de poder e acusações recorrentes de fraude eleitoral. A história política togolesa, mais do que uma sequência de datas, revela a persistência de estruturas autoritárias que desafiam, ainda hoje, a consolidação de uma democracia plena no país.

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