100 Francs – 1990 – França
- awada
- 13 de mar. de 2021
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Atualizado: 9 de dez. de 2025
“Se não lutei por meu país, pelos menos terei pintado por ele!” (Eugène Delacroix)


Eugène Delacroix (1798–1863), um dos grandes nomes do romantismo francês, retratou em “A Liberdade Guiando o Povo” (La Liberté Guidant le Peuple) o fervor revolucionário das jornadas de 27 a 29 de julho de 1830, quando a França se levantou contra as Ordenações de Julho impostas pelo rei Carlos X (1757-1836). Essas medidas, que restringiam severamente a liberdade de imprensa, dissolviam a recém-eleita Câmara dos Deputados e alteravam o sistema eleitoral, desencadearam a revolução que levou à queda do monarca, último representante direto da dinastia Bourbon. Em seu lugar ascendeu Louis-Philippe (1773-1850), o “rei-cidadão”, ligado ao ramo de Orléans. Seu governo inaugurou a chamada Monarquia de Julho, que perdurou até 1848, quando ele próprio abdicou durante nova onda revolucionária. No quadro, Delacroix não busca retratar um episódio exato, mas criar uma síntese simbólica da luta pela liberdade. A figura central é uma alegoria vigorosa: uma mulher do povo, descalça, com o peito parcialmente exposto, avançando por sobre corpos caídos como se irrompesse para fora da tela. Ela empunha o barrete frígio, símbolo da liberdade desde a Primeira República, e ergue com o braço direito a bandeira tricolor — azul, branca e vermelha — que se tornou emblema nacional após a Revolução Francesa. Ao seu lado surge um dos personagens mais marcantes da composição: o menino das barricadas, armado com pistolas. Embora não represente uma figura histórica específica, muitos viram nele a inspiração para Gavroche, o jovem rebelde imortalizado por Victor Hugo em Les Misérables. A obra, concluída ainda em 1830, foi adquirida pelo governo francês no ano seguinte por 3.000 francos, destinada ao Palais du Luxembourg como testemunho visual da Revolução de Julho. Hoje integra o acervo do Museu do Louvre, sendo considerada a pintura mais emblemática de Delacroix. A força simbólica da Liberdade criada pelo artista ecoou muito além da França. Ela influenciou a concepção de representações femininas da República, inclusive a efígie usada no Brasil desde a Proclamação da República, e é frequentemente lembrada como um dos modelos visuais que inspiraram o ideal da Estátua da Liberdade, embora a postura da figura de Nova York seja mais estática e solene. Consciente desse poder evocativo, o próprio Delacroix afirmou, refletindo sobre seu papel diante dos acontecimentos: “Se não lutei por meu país, pelo menos terei pintado por ele!”


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