100 Francs – 1963 – Luxemburgo
- awada
- 27 de jun. de 2021
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Atualizado: 14 de jan.
Luxemburgo: O lugar onde mais se fala o português na Europa depois de Portugal.


Luxemburgo é um dos menores países da Europa, um dos mais ricos do mundo, membro fundador da União Europeia e o único Grão-Ducado soberano ainda existente, ou seja, um território cujo chefe de Estado é um grão-duque ou uma grã-duquesa — um título de nobreza historicamente utilizado, sobretudo na Europa Ocidental, para designar soberanos de Estados independentes de pequena dimensão. Seu território é realmente diminuto: com apenas 2.586 km², corresponde aproximadamente à metade da área do Distrito Federal, a menor entre as unidades federativas do Brasil. Encravado entre França, Bélgica e Alemanha, Luxemburgo situa-se no ponto de encontro entre a Europa Românica e a Europa Germânica, refletindo essa posição singular na convivência de costumes, instituições e línguas de diferentes tradições culturais. Sua população, atualmente em torno de 650 mil habitantes, é notavelmente diversa: cerca de 47% são estrangeiros, e o maior contingente é formado por portugueses, com algo próximo de 95 mil residentes, resultado de sucessivas ondas migratórias iniciadas sobretudo a partir da década de 1960. Embora as línguas oficiais sejam o luxemburguês, o francês e o alemão, com o inglês amplamente utilizado no cotidiano institucional e financeiro, a expressiva comunidade lusitana faz com que o português esteja entre as línguas mais ouvidas no país, sendo falado em casa por uma parcela significativa da população. A grã-duquesa Carlota (1896–1985), retratada nesta cédula, reinou entre 1919 e 1964 e possuía uma ligação direta com Portugal. Era neta do rei D. Miguel I, por via materna, sendo sua mãe a infanta D. Maria Ana de Bragança, o que a vinculava diretamente à Casa de Bragança e à história da monarquia portuguesa. Carlota sucedeu sua irmã Maria Adelaide (1894–1924), que abdicou em 1919 após controvérsias relacionadas à sua postura durante a ocupação alemã de Luxemburgo na Primeira Guerra Mundial, quando foi percebida como excessivamente conciliadora com os invasores. Assim, esta cédula não apenas homenageia uma soberana central na história luxemburguesa, mas também remete a profunda e duradoura ligação do Grão-Ducado com Portugal — seja pela ascendência de sua família real, seja pela presença marcante da comunidade portuguesa, que ajudou a moldar a identidade social, cultural e econômica do Luxemburgo contemporâneo.


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