100 Francs – 1942 – França
- awada
- 18 de jan. de 2024
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Atualizado: 30 de mar.
Duque de Sully: O poder de um protestante dentro de uma corte católica.


Maximilien de Béthune (1560–1641) foi uma das figuras mais influentes da França do início da Idade Moderna. Mais conhecido como duque de Sully, acumulou ao longo da vida diversos títulos nobiliárquicos — entre eles barão de Rosny, marquês de Nogent-le-Rotrou, conde de Muret e de Villebon — e, posteriormente, foi nomeado Marechal da França. Protestante convicto, Sully foi um destacado membro dos huguenotes — como eram chamados os protestantes franceses durante as Guerras de Religião do século XVI — e tornou-se o principal conselheiro e homem de confiança do rei Henrique IV. Sua posição era delicada: se, por um lado, era malvisto por muitos católicos por sua fé, por outro, também despertava desconfiança entre protestantes, sobretudo após a conversão do rei ao catolicismo por razões políticas. Na corte, sua influência e proximidade com o monarca lhe renderam ainda a antipatia de numerosos nobres, sendo frequentemente descrito por contemporâneos como austero, obstinado e pouco diplomático. Apesar disso, Sully destacou-se como um administrador excepcional. Como superintendente das finanças, promoveu uma política de rigor fiscal, combateu desperdícios e procurou restaurar a economia francesa após décadas de conflitos civis. Sua gestão contribuiu de forma decisiva para a recuperação do reino, então devastado pelas guerras religiosas. Esses conflitos tiveram início em 1562, com o massacre de huguenotes em Wassy, e atingiram seu auge durante o massacre da Noite de São Bartolomeu, em 1572, quando milhares de protestantes foram mortos em Paris e em outras cidades do reino. O episódio chocou a Europa e marcou profundamente a memória coletiva protestante. O próprio Sully sobreviveu à violência, episódio que reforçou sua trajetória política e religiosa. O ciclo de guerras foi encerrado em 1598, quando Henrique IV promulgou o Édito de Nantes, garantindo aos protestantes liberdade de culto limitada e direitos civis. Embora não tenha estabelecido igualdade plena entre as confissões, o édito representou um marco na pacificação do reino — processo no qual Sully teve papel central, tanto na consolidação política quanto na reconstrução econômica da França.


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