100 Francs – 1926 – França
- awada
- 13 de jul. de 2023
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Atualizado: 25 de mar.
Alegorias: O simbolismo por trás das cédulas de banco.


A maioria das cédulas francesas da era pré-euro recebeu “apelidos” entre os colecionadores locais. A peça em questão, por exemplo, é conhecida como “Merson”, em referência ao pintor e ilustrador francês Luc-Olivier Merson (1846–1920). Entre suas obras mais célebres está uma série de ilustrações inspiradas em Notre-Dame de Paris, romance publicado em 1831 por Victor Hugo. Nessas imagens, criadas em 1881, Merson explorou uma atmosfera mística e de inspiração gótica, retratando os terraços da catedral parisiense e seu personagem mais emblemático, o corcunda. Por volta de 1900, Merson foi encarregado de desenhar selos postais para os correios da França e de Mônaco. Em 1908, recebeu do Banco da França a encomenda para criar os modelos de duas cédulas. Na cédula vista acima, o artista concebeu, no anverso, alegorias de camponesas com suas crianças, enquanto no reverso aparecem figuras simbólicas associadas ao trabalho e à fortuna. As alegorias foram amplamente empregadas em cédulas de banco ao longo dos séculos XIX e XX. Trata-se de uma figura de linguagem de forte tradição retórica, que amplia o sentido literal ao representar ideias abstratas — como liberdade, justiça, comércio, indústria ou agricultura — por meio de imagens simbólicas. O termo deriva do latim allegoria, significando “falar de outra coisa”. Frequentemente, essas ideias eram personificadas em figuras humanas identificáveis por seus atributos — um ferreiro, um camponês — ou ainda em divindades da Antiguidade, refletindo a presença marcante da mitologia clássica na formação educacional da época. A Justiça, por exemplo, costumava ser representada como uma figura feminina portando balança, espada e venda sobre os olhos. Mais do que simples elementos decorativos, essas alegorias desempenhavam uma função essencial: comunicar valores, transmitir estabilidade e reforçar a credibilidade das instituições emissoras. Em um contexto em que o papel-moeda ainda buscava consolidar a confiança do público, tais imagens atuavam como uma linguagem visual universal, capaz de associar a cédula a ideias de ordem, prosperidade e legitimidade — transformando-a não apenas em um meio de pagamento, mas também em um veículo de símbolos e significados compartilhados.


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