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100 Escudos – 1971 – Guiné Portuguesa

  • awada
  • 2 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de mar.

Nuno Tristão e os limites da exploração portuguesa do Atlântico africano no século XV.



No período compreendido entre os séculos XV e o início do XVII — conhecido como Era dos Descobrimentos — circularam pela Europa diversas lendas sobre monstros marinhos que habitariam o oceano Atlântico. Acreditava-se que essas criaturas seriam capazes de destruir embarcações e arrastá-las para profundezas desconhecidas, alimentando o imaginário do chamado “Mar Tenebroso”. Embora tais relatos refletissem sobretudo o desconhecimento geográfico da época, contribuíam para o temor em relação à navegação oceânica. No início do século XV, Portugal destacou-se como protagonista da expansão marítima europeia, impulsionado pelo patrocínio do infante Henrique o Navegador. Embora a ideia de uma “escola de Sagres” estruturada seja hoje relativizada pelos historiadores, é certo que, sob sua influência, houve um esforço contínuo de aperfeiçoamento náutico, reunindo conhecimentos de navegação, cartografia e construção naval. Um marco importante desse processo ocorreu em 1434, quando Gil Eanes conseguiu ultrapassar o Cabo Bojador, no atual Saara Ocidental, região até então envolta em temores e superstições. Esse feito não eliminou de imediato os mitos sobre o Atlântico, mas representou um avanço decisivo na exploração da costa africana. A partir de 1441, por iniciativa do infante D. Henrique, Nuno Tristão, o personagem acima homenageado, participou de expedições ao longo da costa ocidental da África. Em suas primeiras viagens, navegou além do Rio do Ouro e alcançou o Cabo Branco, na atual fronteira entre o Saara Ocidental e a Mauritânia. Posteriormente, avançou até a baía de Arguim, onde os portugueses estabeleceriam, em 1448, uma feitoria fortificada voltada ao comércio com o interior africano. Em viagens seguintes, Tristão atingiu regiões mais ao sul, provavelmente até a área do atual Senegal e proximidades do rio Gâmbia. Por volta de 1446, durante uma expedição à região do atual arquipélago dos Bijagós, na costa da então chamada Guiné Portuguesa — que viria a constituir a atual Guiné-Bissau — Nuno Tristão entrou em um rio com parte de sua tripulação, possivelmente com o objetivo de reconhecimento ou captura de pessoas — prática comum nas primeiras incursões portuguesas. Ali, sua expedição foi surpreendida por indígenas locais, chamados então pelos portugueses de “guinéus”, que reagiram ao seu avanço. Sob uma chuva de setas peçonhentas, os marinheiros recuaram, mas confronto resultou na morte de grande parte da tripulação, incluindo o próprio Tristão. Apesar do desfecho trágico, essas expedições contribuíram para o progressivo reconhecimento da costa africana pelos europeus. Apesar de não ter sido uma abertura imediata e definitiva do continente africano, esse processo foi gradual, marcado por avanços, recuos e frequentes conflitos com as populações locais.

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