top of page

100 Drachmai – 1944 – Grécia

  • awada
  • 18 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de jan.

Constantine Kanáris: O "Vingador de Chios".



O que o personagem e o navio em chamas representados nesta cédula podem nos contar? Muito. O personagem é Constantine Kanáris (1795–1877), uma das figuras mais emblemáticas da Guerra de Independência da Grécia contra a ocupação otomana. Seu nome tornou-se, para os gregos, sinônimo de coragem, determinação, paixão e patriotismo, consagrando-o como um herói nacional amplamente admirado. Kanáris nasceu na pequena ilha de Psara, no mar Egeu, e ficou órfão ainda muito jovem. Em uma ilha cuja vida girava em torno do mar, o caminho natural foi tornar-se marinheiro, movido pelo desejo de aventura e ascensão econômica. Com o tempo, tornou-se capitão de uma pequena embarcação. Em 1821, eclodiram revoltas no Peloponeso que deram início à luta organizada dos gregos para derrubar o domínio otomano. Psara rapidamente formou sua própria frota, composta em grande parte por navios-bombeiros, embarcações carregadas de materiais inflamáveis usadas como arma naval. Kanáris destacou-se como capitão de um desses navios. Como represália à expulsão de muçulmanos de áreas do Peloponeso, o sultão otomano Mahmud II enviou uma grande frota à ilha vizinha de Chios. Em 1822, ocorreu ali um dos episódios mais chocantes do conflito: o Massacre de Chios, no qual cerca de 25.000 gregos foram mortos e dezenas de milhares foram escravizados, causando profunda comoção na Europa. A resposta grega não tardou. Aproveitando o momento em que a frota otomana ainda estava ancorada em Chios e sua nau capitânia celebrava a vitória, Kanáris liderou uma ousada operação noturna. Com cerca de trinta homens e apenas dois navios-bombeiros, conseguiu aproximar-se da nau capitânia sem ser detectado e incendiá-la. Enquanto Kanáris e seus companheiros escapavam, o navio explodiu, causando a morte de mais de dois mil marinheiros e oficiais otomanos, incluindo o almirante da frota. Foi nesse episódio que Constantine Kanáris se consolidou definitivamente como herói nacional grego. Apesar dessa e de outras ações audaciosas, a resistência grega, sozinha, encontrava-se em clara desvantagem frente ao poderio do Império Otomano. A independência só se tornou possível graças à intervenção decisiva das potências europeias, culminando no reconhecimento da Grécia como Estado independente em 1830. Paradoxalmente, Kanáris jamais viu sua terra natal plenamente livre. As ilhas de Psara e Chios permaneceram sob domínio otomano até 1912, quando finalmente foram incorporadas à Grécia — 35 anos após a morte de Constantine Kanáris, encerrando simbolicamente um ciclo iniciado com seu sacrifício e bravura.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page