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100 Dirhams – 2002 – Marrocos

  • awada
  • 30 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de fev.

Marcha Verde: A disputa pela soberania de um dos últimos territórios não autônomos da África.



A Marcha Verde, retratada no reverso desta cédula, foi organizada pelo rei Hassan II (o personagem central da cédula) e realizada em novembro de 1975. Cerca de 350 mil marroquinos desarmados avançaram até a fronteira do então Saara Espanhol, em uma mobilização cuidadosamente planejada para pressionar a Espanha a abandonar o território. O ato ocorreu poucos dias após a Corte Internacional de Justiça emitir um parecer consultivo reconhecendo que havia laços históricos entre tribos saarauís e o sultanato marroquino, mas afirmando que tais vínculos não implicavam soberania territorial e que o princípio da autodeterminação deveria ser respeitado. O pano de fundo da disputa remonta a 1958, quando a Espanha reorganizou suas possessões africanas e transformou o Saara Espanhol em província ultramarina. Em meio ao enfraquecimento do franquismo e à pressão internacional por descolonização, Madri firmou, em novembro de 1975, o chamado Acordo de Madri com Marrocos e Mauritânia, prevendo a retirada espanhola e a administração tripartite do território. A Espanha deixou formalmente a região em 1976. O acordo, contudo, não transferiu soberania reconhecida internacionalmente. As Nações Unidas nunca reconheceram a validade jurídica da partilha e continuaram a considerar o Saara Ocidental um território não autônomo pendente de descolonização. Em 1979, a Mauritânia retirou-se do conflito e renunciou à sua parte, que foi rapidamente ocupada pelo Marrocos. Desde então, o território tornou-se palco de confronto entre o Marrocos e a Frente Polisário, movimento fundado em 1973 que reivindica a independência do povo saarauí. Em 1976, a Polisário proclamou a República Árabe Saarauí Democrática (RASD), com governo no exílio sediado na Argélia. O conflito armado prolongou-se até 1991, quando foi firmado um cessar-fogo mediado pela ONU, acompanhado da criação da missão MINURSO, encarregada de organizar um referendo de autodeterminação. O referendo, inicialmente previsto para 1992, jamais foi realizado devido a divergências sobre quem teria direito a votar e sobre as opções apresentadas. Em 2020, após décadas de relativa estabilidade armada, o cessar-fogo foi rompido e a tensão voltou a crescer. Nos últimos anos, alguns países — incluindo os Estados Unidos, em 2020 — reconheceram a soberania marroquina sobre o território, enquanto outros mantêm apoio ao princípio da autodeterminação. Em 2023 e 2024, propostas de autonomia sob soberania marroquina ganharam respaldo de parte da comunidade internacional, mas continuam sendo rejeitadas pela Frente Polisário. Hoje, o Saara Ocidental permanece dividido por um extenso muro defensivo construído pelo Marrocos, que controla a maior parte do território, enquanto a Polisário administra áreas a leste. A questão segue sem solução definitiva: para Rabat, trata-se de consolidar sua integridade territorial; para os saarauís alinhados à Polisário, é uma luta por independência. Meio século após a Marcha Verde, o impasse continua sendo uma das mais longas disputas territoriais da África contemporânea.

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