100 Dinara – 1929 – Reino da Iugoslávia
- awada
- 23 de ago.
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Na cédula, a promessa da unidade; na história, o eco da ruptura.


Alegorias foram muito utilizadas no período entreguerras, quando os países jovens da Europa buscavam reforçar sua legitimidade com símbolos clássicos, evocando tanto modernidade como tradição. É o caso desta cédula de 1929 do recém-criado Reino dos Croatas, Sérvios e Eslovenos, fundado em 1918 no pós guerra e renomeado em 1929 como Reino da Iugoslávia. Ao tomá-la em mãos, o olhar é primeiramente atraído para a figura feminina que domina seu anverso. Ela não é uma mulher comum, mas a própria personificação da Iugoslávia da época, uma nação multiétnica, compostas de sérvios, croatas, eslovenos, bósnios, montenegrinos, macedônios, e outras etnias minoritárias, unidas em um mesmo Estado. Sentada em postura solene, ela veste um traje ricamente ornado, lembrando tanto a tradição clássica greco-romana quanto os padrões florais muito comuns nos Bálcãs. Na mão esquerda ela sustenta uma espada, símbolo claro da força e da soberania nacional. Atrás dela, a paisagem se abre para um porto movimentado, certamente uma representação do Porto de Belgrado na confluências dos rios Danúbio e Sava, com navios e barcos deslizando por suas águas. Essa imagem não é mero adorno: representa a abertura do reino ao comércio e às conexões com o mundo, fundamentais para uma economia que buscava se consolidar após os anos turbulentos da Primeira Grande Guerra. Apesar do ideal de unidade presente na iconografia da cédula, a realidade histórica foi bem diferente. Transformada em república ao fim da Segunda Grande Guerra em 1945, o desfecho da Iugoslávia foi trágico. A tentativa de unir povos diversos em um só Estado terminou em uma violenta e gradual fragmentação, marcada por guerras, nacionalismos e ressentimentos históricos, até sua definitiva dissolução em 2006.


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