10 Yeni Turk Lirasi – 1970-2005 – Turquia
- awada
- 16 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de fev.
Mapa de Piri Reis: Cartografando o Novo Mundo no século XVI.


O fragmento de mapa do almirante, geógrafo e cartógrafo otomano Piri Reis (c. 1465–1553), reproduzido nesta cédula, é datado de 1513, apenas 21 anos após a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo. Ele representa, com notável precisão para a época, a costa ocidental da Europa, a costa norte da África e a costa oriental das Américas. O mapa também inclui diversas ilhas do Oceano Atlântico, como os Açores e as Canárias, além de ilhas lendárias como Antília. Já a suposta representação do Japão no mapa, por vezes sugerida, não é consenso acadêmico. A importância histórica do mapa reside, sobretudo, no fato de demonstrar o grau avançado do conhecimento cartográfico e da exploração marítima no início do século XVI. Piri Reis registrou em suas próprias anotações que a carta foi elaborada a partir de uma compilação de cerca de vinte mapas distintos, incluindo cartas portuguesas, árabes e, segundo o próprio autor, um mapa atribuído a Cristóvão Colombo, hoje desaparecido. Essa afirmação confere valor adicional ao documento, pois sugere o uso de fontes primárias atualmente perdidas. As legendas do mapa trazem indicações claras dessa influência colombiana, como na frase em que Piri Reis afirma que “os nomes foram dados por Colombo, para que por eles fossem conhecidos”. Essa herança é reforçada por erros repetidos, como a representação de Cuba não como uma ilha, mas como parte do continente asiático, equívoco também presente nos relatos de Colombo. Além disso, muitos topônimos coincidem com aqueles registrados pelo navegador genovês. No que se refere à América do Sul, o mapa estende-se até a região do Rio da Prata e assinala, pela primeira vez em um mapa conhecido, localidades identificadas como “Kav Fryio” (Cabo Frio) e “Sano Saneyro” (Rio de Janeiro), refletindo o avanço das explorações portuguesas ao longo da costa brasileira. O documento também incorpora elementos simbólicos e míticos característicos da cartografia renascentista, como a representação de criaturas fantásticas, incluindo um unicórnio e povos descritos como acéfalos, além de lendas medievais como a da Ilha de São Brandão — associada ao monge irlandês dos séculos V e VI e conhecida por diversos nomes, como Ilha do Brasil ou Hy-Brazil. O paradeiro do Mapa de Piri Reis permaneceu desconhecido por mais de quatro séculos, até sua redescoberta em 1929, durante a reorganização da biblioteca do Palácio de Topkapi, em Istambul. Apenas cerca de um terço do mapa original sobreviveu, mas esse fragmento é suficiente para torná-lo um dos documentos cartográficos mais estudados do mundo. Hoje, o mapa é preservado como parte do patrimônio histórico turco e constitui uma fonte fundamental para historiadores modernos, pois oferece evidências concretas da circulação de informações geográficas entre culturas europeias e islâmicas e lança luz sobre os primeiros esforços de representação global do planeta.


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