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10 Shillings – 1973 – Uganda

  • awada
  • 8 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de dez. de 2025

A era Amin: Quando o terror se tornou governo.




Idi Amin Dada (c.1925–2003) chegou ao poder em 1971 após liderar um golpe militar contra o presidente Milton Obote, que se encontrava em visita oficial a Cingapura para a Conferência da Commonwealth. A ascensão de Amin marcou o início de um dos períodos mais sombrios da história moderna da África. De 1971 a 1979, ele governou Uganda com mão de ferro, instaurando um regime em que o medo, a violência e a arbitrariedade tornaram-se instrumentos cotidianos de controle político. Seu governo ficou caracterizado por violações sistemáticas dos direitos humanos, repressão brutal contra opositores, perseguições étnicas direcionadas principalmente a grupos como os acholi e os lango, além de assassinatos extrajudiciais que eliminaram tanto adversários declarados quanto pessoas apenas suspeitas de deslealdade. A administração estatal foi corroída por nepotismo e corrupção, enquanto decisões econômicas desastrosas, como a expulsão súbita da comunidade asiática ugandesa em 1972, mergulharam o país em colapso financeiro e escassez generalizada. Milhares de ugandeses foram mortos nessas oito anos de terror, com estimativas da Human Rights Watch apontando para um número entre 300.000 e 500.000 vítimas. Muitos ministros, oficiais militares e aliados próximos foram executados ou desapareceram à medida que a paranoia de Amin se aprofundava, transformando o governo em um ambiente de constante purgação interna. A crueldade de seu regime rendeu a ele epítetos como “Açougueiro de Uganda”, “Hitler Negro” e outros títulos que ecoaram internacionalmente como símbolos da selvageria e imprevisibilidade de seu poder. A derrocada começou com a Guerra Uganda–Tanzânia (1978–1979), precipitada pela invasão da região de Kagera, na Tanzânia, uma ação temerária que uniu forças dissidentes ugandesas ao exército tanzaniano contra o ditador. A derrota militar abriu caminho para o colapso definitivo de seu governo. Forçado ao exílio, Amin instalou-se primeiro na Líbia, sob proteção de Muammar Gaddafi, e posteriormente na Arábia Saudita, onde viveu de forma relativamente isolada. No fim da vida, debilitado por insuficiência renal e em coma, sua família apelou ao então presidente de Uganda para que Amin pudesse retornar e passar seus últimos dias em sua terra natal. A resposta foi clara: caso regressasse, teria de enfrentar a Justiça pelos crimes cometidos. Diante disso, sua família decidiu desligar o suporte de vida. Idi Amin morreu em 2003 em um hospital saudita e foi enterrado em Jeddah, em uma cova simples, sem cerimônia pública — um fim silencioso para um dos ditadores mais temidos do século XX.

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