10 Shillings – 1964 – África Oriental
- awada
- 19 de jan. de 2022
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Atualizado: 27 de fev.
East African Currency Board: Integração econômica sob a Coroa Britânica.


Durante o período da chamada “Corrida pela África” (1880-1914), a região da África Oriental foi palco de uma acirrada disputa imperialista entre as potências europeias, que invadiram e dividiram a região para controlar recursos, rotas comerciais, e estabelecer colônias. A Grã-Bretanha dominava Quênia, Uganda, Zanzibar, Seicheles e Maurício; a França controlava Madagascar, Reunião, Cômoros e Somalilândia Francesa; Portugal administrava Moçambique; a Itália mantinha possessões na Eritreia e Somália Italiana, além de ocupar temporariamente a Etiópia; e a Alemanha governava Tanganica, Ruanda e Burundi. Com a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, a antiga África Oriental Alemã foi desmembrada, e a Tanganica passou à administração britânica sob mandato da Liga das Nações. Para integrar economicamente os territórios da Uganda, Quênia, Tanganica, e posteriormente Zanzibar, o governo britânico estabeleceu um sistema monetário comum, administrado a partir de Londres. Assim nasceu em 1919 o East African Currency Board (EACB) - emissor da cédula acima - uma das mais duradouras uniões monetárias coloniais do Império Britânico na África. O EACB não era um banco central no sentido moderno, mas uma autoridade emissora que mantinha a moeda local — o xelim da África Oriental — rigidamente atrelada ao xelim britânico, e posteriormente à libra esterlina. Esse arranjo favorecia o comércio externo, especialmente a exportação de produtos agrícolas como café, chá, algodão e sisal, mas também significava que as economias locais tinham pouca autonomia monetária. Entre 1961 e 1963, Quênia, Uganda, Tanganica e Zanzibar conquistaram independência. Em 1964, Tanganica e Zanzibar uniram-se para formar a Tanzânia. Dois anos depois, em 1966, o EACB foi dissolvido, sendo substituído por bancos centrais nacionais: o Bank of Uganda, o Central Bank of Kenya e o Bank of Tanzania. Cada país passou então a emitir sua própria versão do xelim, marcando o fim da experiência monetária comum. Esta cédula é portanto um testemunho do modelo colonial de integração econômica que conectou quatro países distintos sob uma mesma autoridade emissora.


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