10 Rupees – 1976 – Seicheles
- awada
- 21 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de fev.
Seicheles: As paradisíacas ilhas onde a história navega com a lenda.


Embora mareantes austronésios ou mercadores árabes possam ter sido os primeiros a alcançar as desabitadas Seicheles — um arquipélago no Oceano Índico, ao largo da costa da África Oriental — o primeiro registro europeu conhecido de seu avistamento data de 1503, quando o almirante português Vasco da Gama as registrou em sua rota e as chamou de Ilhas do Almirante, em referência a si próprio. A primeira descrição mais detalhada, contudo, deve-se à tripulação do navio britânico Ascension, que chegou ao arquipélago em 1609. Em 1756, os franceses reivindicaram formalmente a posse das ilhas e as rebatizaram de Séchelles, em homenagem ao Ministro das Finanças do rei Luís XV. Após disputas entre França e Reino Unido, o controle passou definitivamente aos britânicos em 1814, que consolidaram o nome Seychelles. A independência foi conquistada apenas em 1976, quando o país tornou-se uma república integrante da Commonwealth. Atualmente, Seicheles é um dos destinos turísticos mais cobiçados do mundo, com praias de areia branca, florestas tropicais exuberantes e águas cristalinas. Mas sua história guarda também um enigma que desperta a imaginação de exploradores e curiosos. Na ilha principal, Mahé, acredita-se que esteja escondido um dos mais lendários tesouros da pirataria. Segundo a tradição, o norte da ilha seria o esconderijo do fabuloso tesouro do pirata Olivier Levasseur, conhecido como La Buse (“O Abutre”), cujo valor estimado chegaria a 1,4 bilhão de dólares. Em abril de 1721, ele saqueou o galeão português Virgem do Cabo, que regressava de Goa para Lisboa. Entre as riquezas capturadas, os relatos mencionam a impressionante Cruz de Fogo de Goa, com cerca de dois metros de altura, feita de ouro maciço e incrustada de diamantes, rubis e esmeraldas — tão pesada que exigia três homens para transportá-la. Em 1724, Levasseur tentou obter a anistia oferecida pelo governo francês aos piratas do Oceano Índico que abandonassem suas atividades. Como a proposta exigia a devolução de grande parte dos saques, ele recusou o acordo e teria se estabelecido nas Seicheles, onde possivelmente ocultou seu tesouro. Anos depois, foi capturado em Madagascar e enviado à ilha de Reunião, onde acabou enforcado por pirataria, em 1730. Reza a lenda que, ao subir ao cadafalso, Levasseur lançou à multidão um colar contendo um criptograma de 17 linhas, proclamando: “Encontre meu tesouro, aquele que puder entendê-lo!”. O paradeiro do colar original é desconhecido, mas cópias do enigmático código circularam ao longo dos séculos. Repleto de símbolos, possíveis referências maçônicas e alusões astronômicas — como ao Zodíaco e a Hércules —, o criptograma foi estudado por décadas sem que o tesouro jamais fosse encontrado. Entre fatos históricos e tradição oral, o mistério de La Buse permanece vivo. Verdade ou mito, ele acrescenta uma aura de aventura e fascínio às já paradisíacas Seicheles — um destino onde a beleza natural divide espaço com o encanto das grandes lendas do mar.


Comentários