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10 Rubley – 2016 – Bielorrússia

  • awada
  • 1 de jun. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de jan.

Cruz de Santa Eufrosina de Polatsk: O tesouro desaparecido da Bielorrússia.



A Cruz de Lorena é uma entre as diversas formas de cruz que surgiram ao longo da história do cristianismo. Sua origem remonta à chamada cruz patriarcal, um símbolo de tradição bizantina já conhecido desde os primeiros séculos da Era Cristã e amplamente utilizado no Império Bizantino, também chamado de Império Romano do Oriente. A partir do século XII, esse modelo foi difundido pela Europa Central, especialmente no Reino da Hungria, de onde mais tarde seria associado à região da Lorena, no atual território da França — origem do nome pelo qual se tornaria mais conhecida. Trata-se de uma variante da Cruz Latina, caracterizada por duas barras horizontais cruzando a haste vertical. A barra inferior, mais longa, corresponde ao braço principal da cruz da crucificação, enquanto a barra superior, mais curta, simboliza a tabuleta com a inscrição latina INRI (Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum — “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”). Ao longo dos séculos, essa forma de cruz foi incorporada à heráldica, à iconografia religiosa e a símbolos históricos de diversos países da Europa Oriental e Central, como Hungria, Eslováquia, Lituânia e também da tradição cultural da Bielorrússia. Uma das relíquias religiosas mais veneradas da Bielorrússia é a Cruz de Santa Eufrosina de Polatsk. Ela foi encomendada em 1161 por Santa Eufrosina de Polatsk, importante figura espiritual e cultural do principado medieval de Polatsk. A cruz, ricamente ornamentada em ouro, prata, esmaltes e pedras preciosas, continha, segundo a tradição, fragmentos da chamada Vera Cruz, a cruz original da crucificação de Cristo. Tornou-se rapidamente um dos mais preciosos tesouros espirituais e artísticos da região. Ao longo dos séculos, a relíquia percorreu um caminho conturbado. No século XIII foi levada para Smolensk e, em 1514, transferida para Moscou. Em 1563, foi devolvida a Polatsk por ordem de Ivan IV, o Terrível, gesto que reforçou seu valor simbólico e religioso. Em 1896, a cruz foi minuciosamente fotografada, criando um registro detalhado que mais tarde se tornaria crucial para sua preservação histórica. Com a ascensão do regime soviético, a cruz foi nacionalizada em 1928 e transferida para Minsk, sendo posteriormente levada, em 1929, para Mogilev, onde ficou guardada em um cofre da sede regional do Partido Comunista. Seu destino definitivo, porém, tornou-se um mistério: em 1941, durante a rápida ocupação da Bielorrússia pelas forças nazistas na Segunda Guerra Mundial, a cruz desapareceu. Desde então, surgiram inúmeras especulações — desde o saque por tropas alemãs até sua possível destruição em um incêndio, hipótese plausível devido à presença de um núcleo de madeira sob o revestimento esmaltado. Enquanto fontes soviéticas atribuíram o desaparecimento aos nazistas, após a independência do país, em 1991, autoridades bielorrussas alegaram que a cruz, assim como outros tesouros nacionais, teria sido levada para Moscou. Apesar de seu paradeiro permanecer desconhecido, a Cruz de Santa Eufrosina sobreviveu na memória coletiva. Em 1997 foi concluida uma réplica oficial, baseada nos registros fotográficos e descrições históricas. Essa réplica — retratada no reverso desta cédula — encontra-se hoje em exibição na Catedral de Polatsk, simbolizando não apenas a fé, mas também a resistência cultural de um povo. Assim, a cruz segue sua jornada através do tempo: ausente como objeto físico, mas viva como relíquia espiritual, ícone histórico e testemunho da complexa trajetória da Bielorrússia ao longo dos séculos.

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