10 Rials – 1992 – Iêmen, Rep.Árabe
- awada
- 16 de set. de 2021
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Atualizado: 29 de jan.
Marib: A barragem que sustentou um império comercial.


A barragem vista no reverso desta cédula chama-se Marib e foi construída na década de 1980 no vale de Dhana, no Iêmen. Próximo a ela, porém, encontram-se as ruínas de uma barragem muito mais antiga e igualmente chamada Marib, considerada uma das maiores maravilhas da engenharia hidráulica do mundo antigo. Evidências arqueológicas indicam que a Grande Barragem de Marib começou a ser construída por volta do século VIII a.C., tendo sido ampliada e reformada ao longo de vários séculos. Enquanto esteve em funcionamento, a barragem transformou uma região desértica em um vasto oásis, permitindo a irrigação de mais de 100 km² de terras agrícolas ao redor da antiga cidade de Marib. À época, Marib era a principal cidade do sul da Arábia e sede do poder do Reino de Sabá, associado na tradição bíblica e corânica à lendária Rainha de Sabá, que, segundo o relato bíblico, teria visitado o rei Salomão em Jerusalém levando uma caravana de valiosos presentes em ouro e especiarias. O Reino de Sabá enriqueceu sobretudo por meio do comércio ao longo da Rota das Especiarias, que ligava o sul da Península Arábica aos mercados do Mediterrâneo oriental. Marib comercializava dois produtos raros, caros e altamente apreciados no mundo antigo: as resinas aromáticas olíbano e mirra. Elas eram utilizadas pelos egípcios nos processos de embalsamamento, empregadas como remédio em várias culturas asiáticas e queimadas em templos, palácios e cerimônias religiosas por todo o mundo antigo conhecido. Para tornar possível a agricultura em um ambiente árido, os sabeus desenvolveram uma sofisticada rede de canais de irrigação, cujo elemento central era a Grande Barragem de Marib. Com o passar dos séculos, no entanto, mudanças nas rotas comerciais e transformações religiosas reduziram a importância econômica do comércio de resinas aromáticas. A partir do período tardo-antigo, a manutenção da complexa infraestrutura hidráulica tornou-se cada vez mais difícil. Entre os séculos V e VI d.C., a barragem passou a sofrer rupturas frequentes, até que, por volta do ano 570 d.C., ocorreu seu colapso definitivo. As causas exatas permanecem incertas, podendo incluir chuvas intensas, falhas estruturais acumuladas ou atividade sísmica. Na tradição islâmica, o episódio é mencionado no Alcorão como o Dilúvio de Arim, interpretado como um castigo divino imposto aos sabeus por sua ingratidão. A Grande Barragem de Marib, que durante séculos tornou fértil uma região desértica e sustentou o florescimento de uma das mais importantes civilizações da Arábia antiga, acabou reduzida a ruínas. A barragem moderna, construída no século XX, tem hoje função limitada, sendo utilizada principalmente para a coleta e distribuição de água para a população local.


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