10 Reais - 2000 - Brasil
Atualizado: 13 de out.
A experiência que não deu certo: a única cédula brasileira feita de plástico.


A cédula de polímero de dez reais foi lançada em 2000 em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil. Ela foi desenhada para ter diversas referências à data, como a imagem de Pedro Álvares Cabral; o mapa "Terra Brasilis", uma das primeiras representações da nova terra; um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro documento a descrever as características do lugar e da sua gente; uma rosa dos ventos, o instrumento de navegação da cartografia portuguesa do século XVI; e ainda a representação das três das naus da expedição de Cabral. O reverso, com os seus 12 recursos de segurança, dividem espaço com uma versão estilizada do mapa do Brasil, formada por quadros contendo fisionomias típicas do povo brasileiro – o índio, o branco, o negro e o mestiço – retratando uma característica marcante do Brasil contemporâneo – sua pluralidade étnica e cultural. Foi a promessa de uma cédula mais segura e durável que fez com que o Banco Central optasse pela versão de plástico. Ele prometia aumentar em até quatro vezes a vida útil da cédula em relação a cédula de papel, além de ser mais difícil de ser falsificada. Por outro lado, a tecnologia para a sua produção pela Casa da Moeda teve que ser comprada da Austrália, resultando em um custo de produção entre 60 e 70% maior do que as cédulas de papel. Sendo assim, somente 125 milhões delas foram disponibilizadas para circulação pelo Banco Central. Ou seja, uma edição relativamente limitada. Mas pouco tempo depois delas serem postas em circulação, as cédulas começaram a perder a tinta e ficaram com uma aparência de cédulas completamente gastas, até porque não houve qualquer reposição. A documentação disponível na mídia da época de seu lançamento permite concluir que a cédula despertou curiosidade e chamou a atenção por seu aspecto inovador, mas também provocou desconfiança em situações cotidianas. Apesar de não terem ocorrido pesquisas de opinião representativas que permitam afirmar que a maioria dos brasileiros aprovou ou rejeitou seu design, o resultado mais expressivo veio depois: o Brasil não adotou o polímero como material habitual de suas cédulas. A nota de R$ 10 de 2000 permaneceu como uma experiência singular no padrão monetário do real, combinando comemoração histórica, inovação gráfica e experimentação tecnológica. Há contudo uma boa reflexão por trás dessa história: uma cédula pode ser tecnicamente mais avançada e visualmente mais ousada sem que essa inovação se transforme necessariamente em uma nova tradição monetária.

