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10 Rands – 1990-93 – África do Sul

  • awada
  • 20 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de dez. de 2025

Dá para imaginar alguém ser retratado em uma cédula de banco completamente por engano?




Uma das características mais comuns em qualquer cédula é o retrato de um personagem considerado importante para o país emissor ou para a história em geral. Figuras como Gandhi na rupia indiana ou Saddam Hussein no dinar iraquiano ilustram bem como indivíduos são imortalizados no papel-moeda por razões políticas, lendárias, religiosas, científicas, artísticas, esportivas — ou, em casos mais raros... por puro engano. Jan van Riebeeck (1619–1677) foi um navegador e administrador holandês a quem se atribui a fundação do assentamento do Cabo da Boa Esperança, em 1652, embrião da atual Cidade do Cabo, hoje uma das capitais da África do Sul. Seu nome tornou-se tão presente na história sul-africana que, entre 1948 e 1994, seu suposto retrato apareceu repetidamente nas cédulas do país — mais precisamente, em nada menos que 34 emissões diferentes. Anos depois, descobriu-se que o homem retratado como Jan van Riebeeck nessas cédulas não era, de fato, o colonizador holandês. O rosto impresso pertencia a Bartholomeus Vermuyden, um militar neerlandês que, ironicamente, jamais havia pisado no continente africano. Mas como um equívoco dessa magnitude pôde persistir por tanto tempo? Antes da era do Instagram, do Facebook e do Twitter, a identificação de figuras históricas dependia quase exclusivamente de pinturas e gravuras — terreno fértil para confusões. Em 1884, uma série de retratos que se acreditava pertencer à família de Van Riebeeck foi doada ao Rijksmuseum, o museu nacional dos Países Baixos. Já naquele momento surgiram dúvidas sobre a autenticidade da imagem. Em 1912, um segundo retrato foi apresentado como sendo o verdadeiro Van Riebeeck, alimentando ainda mais o debate. Apesar disso, em 1952 — ano do tricentenário da fundação da Cidade do Cabo — o Rijksmuseum confirmou oficialmente a autenticidade do primeiro retrato, que continuou a ser utilizado nas cédulas sul-africanas. Somente em 1985 essa atribuição foi definitivamente rejeitada, e o segundo retrato passou a ser considerado o mais plausível. Ainda assim, as cédulas com o rosto equivocado continuaram em circulação até 1994, quando foram substituídas por uma série dedicada à fauna africana e, posteriormente, pela série com Nelson Mandela. Diante de tantos anos de confusão, é difícil não imaginar Jan van Riebeeck se revirando no túmulo — não por ter sido retratado nas cédulas, mas por ter passado décadas sendo representado pelo rosto de um compatriota que nunca chegou sequer perto da África. Um pequeno detalhe, diríamos hoje… se não estivesse impresso por tanto tempo no dinheiro de um país inteiro.

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