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10 Pula – 1982 – Botsuana

  • awada
  • 6 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de fev.

De Bechuanalândia a Botsuana: Uma nação lapidada pelos diamantes.



Antigo protetorado britânico conhecido como Bechuanalândia, Botsuana adotou seu nome atual ao tornar-se independente em 1966. Em contraste com a instabilidade política que marcou parte do continente africano ao longo do século XX, o país destacou-se desde cedo por sua estabilidade institucional, mantendo governos democráticos e eleições regulares e ininterruptas, sem jamais ter sofrido um golpe de Estado. À época da independência, Botsuana figurava entre os países mais pobres do mundo, com infraestrutura precária e economia essencialmente baseada na pecuária. Nas décadas seguintes, porém, o país passou por uma transformação notável. Esse avanço foi impulsionado principalmente pela descoberta de importantes jazidas de diamantes, e pela decisão do governo de gerir de forma prudente e estratégica os recursos provenientes da mineração, direcionando-os para educação, saúde e infraestrutura. O setor diamantífero é o pilar central da economia botsuanesa. A exploração é dominada por uma joint venture entre o Estado e a multinacional De Beers, na qual o governo detém 50% de participação, assegurando que parte substancial dos lucros permaneça no país. Além disso, empresas estatais como a Okavango Diamond Co. atuam na comercialização e beneficiamento das pedras, reforçando o controle nacional sobre a cadeia de valor. Atualmente, Botsuana é o maior produtor mundial de diamantes em termos de valor comercial e figura entre os líderes globais em volume de produção. Dados do British Geological Survey indicam que, em 2019, a Rússia liderava a produção em quantidade, com cerca de 45,3 milhões de quilates, seguida por Botsuana, com aproximadamente 23,3 milhões de quilates. Juntos, os dois países respondiam por cerca de metade da produção mundial. A primazia botsuanesa em valor deve-se ao fato de que seus diamantes são, em média, maiores e de qualidade superior aos extraídos em outras regiões. O país também se destaca pela origem de algumas das pedras preciosas mais famosas do mundo. O “Lesedi La Rona”, expressão tsuana que significa “Nossa Luz”, foi um dos maiores diamantes brutos já encontrados, com 1.109 quilates, descoberto em 2015 na mina a céu aberto de Karowe. A pedra foi posteriormente vendida por dezenas de milhões de dólares, consolidando Botsuana no imaginário do mercado de luxo. Outro exemplo notável é o “Okavango Blue”, um raro diamante azul descoberto em 2019, considerado o maior de sua categoria já encontrado, com 41 quilates em estado bruto e cerca de 20 quilates após a lapidação. Apesar de toda essa riqueza terrestre, os maiores “diamantes” conhecidos não se encontram na Terra. Em 2014, astrônomos identificaram uma estrela anã branca apelidada de Lucy — referência direta à canção “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles — cujo núcleo seria composto majoritariamente de carbono cristalizado, formando uma gigantesca estrutura semelhante a um diamante cósmico. Localizada a cerca de 50 anos-luz do nosso planeta, essa joia estelar permanece, ao menos por enquanto, fora do alcance de qualquer ambição humana, lembrando que as maiores riquezas do Universo nem sempre podem ser lapidadas ou possuídas.

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