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10 Pounds – 1993 – Irlanda

  • awada
  • 24 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 19 de jan.

James Joyce: Literatura para leitores destemidos e físicos curiosos!



James Joyce (1882–1941), romancista, contista e poeta irlandês, é amplamente considerado um dos maiores escritores do século XX. Seria razoável supor, portanto, que suas obras fossem de leitura simples e acessível. No entanto, basta uma rápida consulta na internet para que surjam títulos como “James Joyce: ler ou não ler?” ou “Há livros impossíveis de ler sem ajuda de outros textos” — e assim por diante. Sua obra mais famosa, Ulisses, já era considerada difícil para o leitor de 1922, quando foi publicada, e assim permanece para o leitor contemporâneo. O desafio aumenta pelo fato de muitas referências que faziam sentido para alguém da primeira metade do século XX terem se tornado obscuras ou quase indecifráveis para o público atual. Na época do lançamento, o próprio Joyce se viu obrigado a fornecer dicas para a leitura — ainda que essas orientações fossem, elas mesmas, notoriamente “codificadas”. A tradução brasileira de Ulisses, publicada pela Companhia das Letras e realizada pelo escritor e tradutor Caetano Galindo, veio acompanhada de um “guia de leitura” destinado a socorrer os leitores mais intrépidos. Some-se a isso o fato da edição em português ter nada menos que 1.112 páginas, e o livro passa a se assemelhar menos a um romance e mais a uma maratona intelectual. Outro exercício mental ainda mais radical é a leitura de Finnegans Wake (1939), obra que levou 16 anos para ser escrita e na qual Joyce criou uma profusão de neologismos — palavras novas, muitas delas deliberadamente ambíguas. Uma dessas invenções, curiosamente, atravessou as fronteiras da literatura e ganhou fama em um campo completamente distinto. Da frase “Three quarks for Muster Mark” (“Três quarks para o Mestre Mark”) surgiu a palavra quark, adotada em 1964 pelo físico norte-americano Murray Gell-Mann para nomear uma das partículas elementares do Modelo Padrão da Física de Partículas. Assim, Joyce conseguiu um feito raro: escrever livros que exigem guias de sobrevivência literária e, de quebra, deixar sua marca até na física moderna. Poucos autores podem se orgulhar de ter leitores munidos de dicionários, comentaristas acadêmicos — e físicos teóricos — tentando decifrar suas palavras.

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