top of page

10 Pesos Bolivianos – 1962 – Bolívia

  • awada
  • 4 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de jan.

Potosí: A montanha que financiou um império.



A imagem retratada no reverso desta cédula é da hoje modesta cidade de Potosí, na Bolívia, tendo ao fundo o célebre Cerro Rico. Contudo, seu passado foi extraordinário. Em seu apogeu, durante o século XVII, Potosí chegou a abrigar cerca de 150 mil habitantes, figurando entre as cidades mais populosas do mundo — frequentemente citada como a segunda maior da época, atrás apenas de Paris — além de uma das mais ricas. Em 1611, era a maior produtora de prata do planeta, metal que, em sua imensa maioria, era enviado à Espanha para sustentar o Império Espanhol. A história do surgimento de Potosí mistura fatos históricos e elementos lendários, tornando difícil separar realidade e mito. Segundo a tradição mais difundida, as minas de prata teriam sido descobertas de forma acidental em 1545 por um pastor indígena quíchua chamado Diego Huallpa. Perdido durante a noite ao retornar com seu rebanho de lhamas, ele teria acampado aos pés do Cerro Rico e acendido uma fogueira para se proteger do frio. Ao despertar, percebeu que entre as brasas reluziam fragmentos de prata, fundidos pelo calor do fogo. O local seria tão rico que o metal aflorava à superfície. Informados do achado, espanhóis liderados pelo capitão Juan de Villarroel tomaram posse do Cerro Rico e, após confirmarem a abundância do minério, fundaram ali um povoado que rapidamente se transformaria em uma das cidades mais importantes do mundo colonial. Outra versão sustenta que os incas já conheciam a existência da prata na montanha, mas que, ao tentarem explorá-la, teriam sido impedidos por uma violenta explosão, interpretada como uma advertência sobrenatural. Dessa lenda derivaria o nome original do lugar, P’utuqsi, associado à ideia de proibição: a prata estaria reservada “para os que viriam depois”. Historiadores modernos tendem a interpretar essa narrativa como uma construção simbólica, reforçada pelos colonizadores espanhóis para legitimar sua apropriação das riquezas locais. Independentemente de sua origem, é inegável que a extraordinária produção de prata de Potosí foi sustentada pelo trabalho compulsório de populações indígenas, submetidas ao sistema de mita. Neste sistema, uma tradição de origem inca pré-colombiana, os indígenas eram sorteados – frequentemente a cada quatro meses -    para trabalhar nas minas de prata sob condições brutais. Ao contrário do sistema inca, o sistema espanhol não possuía o mesmo caráter de reciprocidade para o cuidado da comunidade. Milhares morreram nas minas ao longo dos séculos. Um sacerdote da época resumiu tragicamente essa realidade ao escrever: “Não é prata o que se envia à Espanha, mas o suor e o sangue dos indígenas”. Com o esgotamento progressivo das jazidas, a riqueza que fez de Potosí um símbolo do poder imperial desapareceu. A cidade, outrora sinônimo de opulência, retornou à condição de uma vila modesta e silenciosa, marcada por um passado grandioso construído à custa de imenso sofrimento humano.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page